O Brasil cor-de-rosa de Dilma

"Nós temos hoje uma janela de oportunidade única. Além disso temos petróleo, biocombustível, hidrelétrica, minério e somos uma potência alimentar. Não queremos ser só "commoditizados". Queremos agregar valor. (...)

Que outro país no mundo tem a reserva de petróleo que temos, que não tem guerra, não tem conflito étnico, respeita contratos, tem princípios democráticos extremamente claros e uma forma de visão do mundo tão generosa e pró-paz? (...)

Um país com as raízes culturais que nós temos, que tem uma cultura tão múltipla, e que tem esse gosto pelo consenso, pela conversa, tudo isso caracteriza uma contribuição que o Brasil pode dar para a construção da paz no mundo. Acho que o mundo nos vê como um país amigável. (...)"

(em entrevista para o Valor)

 

Jirau: o desastre anunciado



O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de Rondônia ajuizaram uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido liminar contra a mudança de localização da usina de Jirau, no rio Madeira. Isso aconteceu em 25 de agosto de 2008.  A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), hoje ESBR, são os réus da ação.

Os autores da petição inicial, o Procurador MPF de Rondônia, Heitor Alves Soares e a Promotora de Justiça do Estado de Rondônia, Aidee Maria Moser Torquato Luiz, pediram a anulação do Leilão n° 005/2008 e do respectivo contrato de concessão firmado entre a União e o consórcio ESBR. Para o MP o IBAMA não deveria ter concedido a Licença de Instalação que autorizou a construção do empreendimento na nova localização, 9,2 quilômetros rio abaixo,  proposta pelos empreendedores.

Essa alteração em Jirau que aconteceu depois da emissão da licença ambiental de localização e do leilão,  se tornou um precedente em processos de licenciamento de outras hidrelétricas, como no caso perigoso de Belo Monte. O MPF do Pará já ajuizou uma ACP justamente questionando as alterações no projeto de Belo Monte realizadas pós-leilão.

Os empreendedores de Jirau, na época, justificaram que as mudanças na localização da usina levariam a uma economia de R$ 1 bilhão, quase 12% do investimento total. Anunciaram a entrega da energia se daria antes da data prevista em contrato. Jirau já está no terceiro ano de construção e o consórcio trabalhava para fazer funcionar as primeiras turbinas em março de 2012.

Entre os benefícios prometidos com a alteração do projeto estavam a redução dos impactos ambientais, a redução do volume de escavações, redução dos custos e antecipação da geração. Mas parece que alguma coisa deu muito errado.

Já no acórdão do TCU sobre as contas de Jirau para acompanhar o leilão e outorga de concessão ficaram patentes algumas inconsistências nos números apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Havia necessidade de adequação dos custos indiretos, dos preços dos equipamentos eletromecânicos, seria preciso considerar a questão da linha de transmissão não prevista no orçamento, que terá que levar a energia por 130 quilômetros até a subestação nas proximidades de Porto Velho, falhas de projeto, revisão da vazão no vertedouro e falta do detalhamento do custo global da obra.

Apesar de tudo, independente das recomendações do TCU, Jirau foi licitada. Uma briga entre os desenvolvedores do projeto, Furnas e Odebrecht (que já haviam arrematado o leilão da usina de Santo Antônio) e os vencedores do leilão de Jirau, GDF Suez e Camargo Corrêa, chegou à justiça. Os primeiros com o gosto amargo da derrota pela perda de Jirau, uma surpresa para o setor. Isso inviabilizou os ganhos de escala, planejados por Furnas e Odebrecht, com a construção das duas usinas – Santo Antônio e Jirau.

O investimento total previsto para Jirau permaneceu próximo aos R$ 9 bilhões, mesmo depois que a ESBR anunciou, em 2008, as alterações no projeto. Não só não houve a tal redução de R$ 1 bilhão como vai ser preciso um aditivo de R$ 900 milhões ao contrato para as obras civis, segundo as notícias de hoje (10).   Atualmente o custo de Jirau atingiu os R$ 13 bilhões e o consórcio ESBR se queixa do aumento no volume das escavações no local onde afirmaram que seria menor.

Erro de cálculo ou estratégia para obter mais dinheiro do BNDES, nunca se saberá, já que não dá para aferir quanto já foi escavado ou qual era a previsão original. O consórcio ainda terá que resolver o problema da falta de clientes para absorver os 30% da produção a serem vendidos no mercado livre com preços em queda. Quem vai encarar os mais de R$ 130 Mwh que, nas contas do consórcio, viabilizariam o investimento? Tem mais ainda. A produção antecipada não vai poder ser distribuida em conseqüência do atraso nas linhas de transmissão.

Não é à toa que a GDF Suez está tirando o time de campo e repassando suas ações em Jirau para a subsidiária, Tractebel.

Isso é o que se pode chamar de um desastre anunciado.

Funk-rock africano

Rikki Ililonga  Musi O Tunya Dark Sunrise

DOWNLOAD: RIKKI ILILONGA & MUSI-O-TUNYA

- DARK SUNRISE - 1973~1976 - 320 Kbps -
CD1: http://www.megaupload.com/?d=RRIDHQNM
CD2: http://www.megaupload.com/?d=FLEZHC4Q

Via http://republicadefiume.blogspot.com/

Você duvida da merda que eles estão fazendo no Madeira?

No EcoAmazônia:
(no canto esquerdo, no meio da tela, tem um botão verde: clique encima dele e arraste-o pra direita...)

 

"De volta ao leninismo?"

Na Folha de S.P. de hoje:


RUBENS RICUPERO

De volta ao leninismo?


Essência era concepção do desenvolvimento como a acumulação material sem preocupação com efeitos


O PACOTE DE afrouxamento das regras para licença ambiental preparado por Brasília justifica indagar se o novo governo estaria voltando ao célebre lema leninista: "o comunismo são os sovietes mais a eletrificação".
Não me refiro, é claro, ao defunto comunismo e aos olvidados sovietes. A essência do lema era a concepção simplista do desenvolvimento visto como mera acumulação material de obras sem preocupação com os efeitos sobre as pessoas ou a natureza.
O resultado dessa mentalidade foi converter a finada União Soviética no maior canteiro de destruição ambiental do planeta, da secagem do Mar de Aral à explosão da usina nuclear de Chernobyl.
O comunismo e os sovietes acabaram há muito tempo. Já os danos ambientais provaram ser irreversíveis, constituindo, ao lado dos milhões de vítimas do stalinismo, testemunho imperecível da loucura bolchevista. Estarão destinados a esse triste papel os elefantes brancos que desejamos construir a toque de caixa e sem incômodas cautelas ambientais?
Planejado para produzir "choque de gestão ambiental", o pacote é apresentado como fruto do razoável desejo de reduzir custos e exigências excessivas. Se for só isso, não haverá o que dizer. Mas então por que introduzir as mudanças por decretos cozinhados no segredo de gabinetes acessíveis apenas aos lobbies econômicos?
O atual governo e o maior partido de sua base de apoio se orgulham de defender a democracia participativa. Por que motivo ela não valeria para tema tão sensível como o do impacto das grandes obras sobre as tribos indígenas e a natureza?
Que razões haveria para temer audiências públicas com a participação de especialistas capazes de submeter as modificações propostas ao crivo da ciência e da razão?
Pode haver exageros em certas exigências ambientais. Nesse caso é preciso examinar se o motivo está na insuficiência de recursos humanos e materiais dos órgãos de licenciamento ou em atitudes sem justificativa científica e técnica.
Acaso nós dispomos desse diagnóstico? Há consenso mínimo entre estudiosos acerca das raízes do problema?
A preocupação pode parecer exagerada e prematura. Temos razões de sobra, porém, para desconfiar de medidas anunciadas como pacotes e choques, haja vista o saldo de desastres que tal abordagem produziu na área econômica.
Tampouco se deve falar aqui em abrir crédito de confiança a governo novo. Primeiro porque, longe de serem novos, os personagens em evidência são os mesmos que em passado recente se celebrizaram pelos conflitos responsáveis pela demissão da ministra Marina Silva e inúmeros respeitados técnicos, o último deles o presidente do IBAMA sacrificado semanas atrás.
Em segundo lugar porque os dois projetos emblemáticos de tudo o que é irracional e predatório no falso desenvolvimentismo -Belo Monte e o trem-bala- continuam impávidos na trajetória para se juntarem aos demais escombros que povoam nosso cemitério de elefantes.
A não ser que a razão real de tais projetos absurdos seja a cupidez dos caçadores de comissões. O que levava o saudoso Mario Henrique Simonsen a suspirar: "É melhor em certos casos pagar a comissão e não fazer o projeto"!

 

Cocalero (Alejandro Landes - 2007)

Documentário sobre a eleição de Evo Morales e o movimento cocalero na Bolívia (uma espécie de Entreatos boliviano...). Pra baixar: http://www.megaupload.com/?d=TZ7ZGC5A.

Cocalero0701(via http://filmespoliticos.blogspot.com/)

"Tribo nômade no Maranhão enfrenta madeireiros e colonos"

Awá

Índio Awá no cenário de destruição de suas florestas

"Relatório da Fundação Nacional do Índio (Funai) revela que a tribo nômade Awá, no Maranhão, foi a mais afetada em 2009 com desmatamento de territórios indígenas na Amazônia Legal.

A organização Survival International obteve o relatório e o classificou de “chocante”. Segundo a organização, baseada em Londres, cerca de 60 a 100 Awá conseguiram permanecer isolados, mas o seu último refúgio está sendo destruído.

Leia mais:

Índios realizam protesto para provar que existem

Índios sem contato fogem dos madeireiros no MA

O território Awá tem sido invadido por enorme afluxo de madeireiros e colonos, mas praticamente nada foi feito para retirá-los, apesar das autoridades estarem cientes de suas identidades.

O relatório mostra que 31% da floresta no território Awá foi derrubada ilegalmente. A tribo vive em três das cinco áreas indígenas que mais sofreram desmatamento em 2009 – o último ano para o qual as estatísticas são disponíveis.

Existem cerca de 360 Awá contatados, que vivem em diversas comunidades. Imagens de satélite mostram que o desmatamento no Maranhão aumentou muito nas últimas duas décadas e agora está ocorrendo próximo ao local onde índios isolados foram avistados.

- Os madeireiros vão acabar com toda a área. A área é índio. Fico com raiva com os madeireiros.. raiva mesmo. Acabou toda a caça, e os meus filhos passam fome - disse o índio Pire’i Ma’a a Survival.

Os Awá estão ameaçados pela exploração madeireira e o desmatamento. Alguns pararam totalmente a prática da caça, pois se sentem ameaçados pelos madeireiros ilegais que trabalham nas proximidades.

Há duas semanas, o seriado Planeta Humano, da BBC, mostrou mulheres Awá cuidando e amamentando filhotes de macacos órfãos. Um antropólogo brasileiro disse que a tribo enfrenta um genocídio.

Em janeiro, um funcionário da Funai declarou no programa Fantástico, da TV Globo, que “se não houver ação rápida e emergencial, o futuro desse povo é a extinção”.

Os impactos devastadores do desmatamento sobre os Awá será destaque no programa da BBC The Chinese are Coming (Os chineses estão vindo), que será exibido pela BBC nesta terça-feira (15), na Inglaterra.

Como uma tribo de caçadores-coletores, uma das duas únicas tribos nômades remanescentes no Brasil, os Awá dependem totalmente da sua floresta para sobreviver. Muitos deles morreram em massacres brutais nas mãos de fazendeiros e madeireiros.

O contato entre esses índios e os invasores pode ter efeitos devastadores, pois os índios apresentam baixa resistência a doenças externas. A legislação brasileira exige que a terra Awá seja protegida para os índios, mas as autoridades falharam em agir.

- Estamos assistindo a uma tragédia se desenrolando diante dos nossos olhos – e a causa da mesma é simplesmente um fracasso total das autoridades do Brasil para defender a lei e proteger o território Awá - disse o diretor da Survival, Stephen Corry."

O debate num jornal de hoje.

Na Folha de SP de hoje:

São Paulo, sábado, 12 de fevereiro de 2011


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TENDÊNCIAS/DEBATES
Os esforços do governo para construir a usina de Belo Monte devem ser mantidos?

SIM

A razão das hidrelétricas

LUIZ PINGUELLI ROSA

O setor elétrico brasileiro está sob duplo bombardeio na mídia.
Têm ocorrido quedas de energia elétrica com frequência acima do normal. Não há falta de capacidade instalada, como no racionamento de energia em 2001. Na época, faltaram investimentos para expansão do sistema; hoje, o problema está na transmissão e na distribuição.
Por outro lado, os ambientalistas criticam a construção de Belo Monte. No fundo, a questão não é Belo Monte, mas fazer ou não hidrelétricas de potência significativa, em particular na região Norte, onde está a floresta amazônica, foco de justas preocupações ambientais.
Está na região Norte a maior parte do potencial hidrelétrico do Brasil, que possui os maiores recursos hídricos do planeta: 8,2 km3/ano, seguido da Rússia, com apenas 4,5, e do Canadá, com 2,9. Apesar disso, ficamos em quarto lugar em capacidade instalada de hidrelétricas, atrás de China, EUA e Canadá.
Usamos apenas cerca de 30% do potencial hidrelétrico nacional, percentual este que supera 70% na Noruega, seguida de perto por Japão, Canadá e EUA. Entretanto, a hidroeletricidade representa 85% da nossa geração elétrica, só superada pelo Paraguai e pela Noruega.
Deve o país abrir mão de utilizar essa energia? Creio que não. Mas não pode fazê-lo a qualquer preço.
Devem ser cumpridas as restrições ambientais necessárias.
O preço da energia de Belo Monte é de R$ 68/MWh, enquanto nas termelétricas novas é de R$ 140/MWh, e há antigas que chegam a R$ 400/ MWh quando operam em caso de escassez de água nas hidrelétricas.
O investimento previsto é de R$ 20 bilhões, definidos no leilão, embora documento do consórcio vencedor fale agora em R$ 26 bilhões, pretendendo vender 20% da energia para consumidores livres a preço maior. Aí está um problema a ser resolvido pelo consórcio, pois deverá ser obrigado a manter o preço de R$ 68/MWh para a rede pública.
A área inundada se restringe praticamente àquela que o rio já ocupa na sua variação sazonal. Ela tem 516 km2, bem menor que Itaipu, com 1.300 km2. A usina de Balbina tem 0,1 W/m2 e Tucuruí tem 2,9 W/ m22: Belo Monte terá 21 W/m2.
Mas há um problema, que é a redução da água na Volta Grande do Xingu, o que preocupa moradores ribeirinhos. A solução é garantir uma vazão mínima.
Não haverá reservatório para acumulação, como fazem as hidrelétricas antigas do sistema interligado. Para reduzir os impactos, perdeu-se a capacidade de regularizar a vazão, reduzindo a energia assegurada. A potência máxima de Belo Monte é de 11 GW e a média é de 4,6 GW. A relação desses dois valores dá o fator de capacidade de 42%, bem menor que os de Jirau e de Santo Antônio.
Entretanto, em geral, as hidrelétricas brasileiras têm fator de capacidade pouco acima de 50%. Esse fator é de, em média, 21% nas hidrelétricas na Espanha, de 32% na Suíça, de 35% na França e no Japão, de 36% na China e de 46% nos EUA.
A operação de Belo Monte não pode ser vista isoladamente, pois ela estará no sistema interligado, no qual há transmissão de energia de uma região às outras.
Quando Belo Monte gerar 11 GW, ela vai economizar água em reservatórios de outras usinas, que reduzirão sua geração. E essa água guardada permitirá gerar energia adicional nessas usinas.
É natural que os ambientalistas pressionem o governo. Apoiei a então ministra do governo Lula, Marina Silva, quanto às exigências impostas para as usinas do rio Madeira. No final, chegou-se a uma solução para o licenciamento de Jirau e de Santo Antônio pelo Ibama.
Há anos, obras como a de Tucuruí produziram impactos muito grandes. O canteiro de obra causou uma concentração de pessoas abandonadas à própria sorte após a obra. Isso tem de ser evitado.

LUIZ PINGUELLI ROSA 68, físico, é diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foi presidente da Eletrobrás (2003-2004).


São Paulo, sábado, 12 de fevereiro de 2011


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TENDÊNCIAS/DEBATES
Os esforços do governo para construir a usina de Belo Monte devem ser mantidos?

NÃO

O futuro da energia no retrovisor

MARCELO FURTADO

O Brasil precisa de energia para seguir crescendo. Mas não precisa de Belo Monte. Um estudo do Greenpeace lançado em novembro, o (R)evolução Energética, mostra que o país pode suprir suas necessidades energéticas investindo em fontes de geração renovável, como a eólica e a solar, e dispensando a construção de megahidrelétricas na região da Amazônia.
Em 2050, mostra o estudo, o Brasil pode ter uma matriz elétrica com 93% de participação de energias renováveis, eliminando completamente a geração à base de carvão, de diesel e a geração nuclear.
O cenário energético de nosso estudo custa, pasmem, R$ 88 bilhões a menos do que o proposto pelo governo para os próximos 40 anos.
Ele indica também que a aposta nas renováveis não é apenas mais barata. Ela geraria 1,2 milhão a mais de empregos e produziria seis vezes menos emissões de gases do efeito estufa em comparação aos planos da burocracia federal. Com tantas vantagens, por que ainda estamos investindo em grandes hidrelétricas na Amazônia?
A construção de Belo Monte provocará um desmatamento de 12 mil hectares, a movimentação de 230 milhões de metros cúbicos de terra -mais do que na obra do Canal do Panamá- e a abertura de 260 quilômetros de estradas no canteiro de obras. Terminada a obra, a usina obrigará ainda a remoção forçada de 20 mil pessoas.
Os efeitos negativos sobre a biodiversidade e os indígenas que dependem do rio Xingu estão evidentes na relutância do Ibama em licenciar a usina de Belo Monte.
Apesar de tantos questionamentos, Lula declarou que faria Belo Monte "na lei ou na marra". A presidente Dilma escolheu o segundo caminho, constrangendo o Ibama a conceder uma autorização para a instalação do canteiro de uma obra que ainda está para ser licenciada.
Se, do ponto de vista socioambiental, a construção de Belo Monte tem tudo para ser um desastre, do ponto de vista econômico ela também não faz sentido.
As obras civis vão custar R$ 15,6 bilhões. Com esse número, oficial, fica difícil acreditar que o valor final do projeto será de R$ 25,8 bilhões, como recentemente anunciado. Há um ano, o valor da obra estava em R$ 19 bilhões. Não houve, nos últimos 12 meses, uma inflação capaz de justificar tamanho salto de preço.
A discussão sobre Belo Monte não é sobre a tecnologia de geração hidrelétrica, mas sobre o tamanho da obra e sua localização. O modelo proposto pelo Greenpeace dialoga com o Brasil de hoje e do futuro, propondo uma expansão da geração energética a partir de fontes como a solar, a eólica, PCH (pequenas centrais hidrelétricas) e biomassa.
Essas fontes, particularmente biomassa e a eólica, são capazes de trazer a segurança energética que o país precisa ao longo do ano, uma vez que garantem o suprimento justamente nos meses de seca, em que a geração das hidrelétricas é muito mais baixa.
Belo Monte terá geração extremamente variável ao longo do ano e vai apenas repetir esse padrão, que contribui para o deficit de energia nos meses secos, remediado com o acionamento de termelétricas movidas a combustíveis fósseis.
O Brasil tem tudo para ser a nação com a matriz elétrica mais limpa do planeta. Belo Monte é sinal de que o governo não busca o futuro.
Quer apenas perpetuar o passado, lavando as mão em relação à nossa geração e às que estão por vir.

MARCELO FURTADO é diretor-executivo do Greenpeace no Brasil.

"Direito à não-vizinhança"

Artigo do sertanista José Carlos Meirelles, no Estadão:

"Nas cabeceiras dos Rios Acre, Iaco, Chandless, Purus, Envira,Tarauacá, Jordão, Juruá, Madeira, Tauhamanu, De Las Piedras e Madre de Dios, nas terras que nunca alagam devido à proximidade da Cordilheira dos Andes, habitavam inúmeros povos indígenas, em sua grande maioria pano e aruaque.

Gleison Miranda/Divulgação

As aldeias eram construídas longe da calha dos rios maiores, nas cabeceiras de pequenos igarapés, isentos das nuvens de piuns, catuquis e carapanãs, que infestam as margens das cabeceiras dos grandes rios de água branca. Criou-se ali uma cultura de terra firme, de caçadores que tinham mais intimidade com a mata do que com os rios, de povos que não usavam canoas, que só cruzavam os rios na época da seca, limitando sua ocupação territorial na época das chuvas.

A maioria desses índios usava o caucho, um elastômero retirado da árvore do mesmo nome, para criar artefatos. A descoberta pelo homem branco dessa matéria-prima modificou radicalmente a vida dos índios. Os caucheiros utilizaram grupos contatados, principalmente os ashanincas, para expulsar e matar todos os grupos que encontravam.

Pelo lado brasileiro, as empresas seringalistas subiam os rios se estabelecendo, expulsando e matando os índios. Essa compressão das empresas caucheiras e seringalistas foi um dos processos mais brutais de extermínio de povos de que se tem notícia.

Então como é possível que ainda hoje existam povos isolados nessa região? Um conjunto de fatores pode explicar essa condição rara. Um dos mais significativos é que, após a 2ª Guerra, o preço da borracha caiu ano após ano, até que no final da década de 60 e na de 70 grande parte dos seringais foi vendida a grupos agropecuários do sul. As fazendas que se instalaram nos altos rios fracassaram. A guerra aos povos isolados termina por falta de financiamento: ninguém fornecia armas nem pagava nada para se matar índios.

Livres das ameaças, eles iniciam a retomada dos territórios. Mas encontram, fixados neles pelas empresas seringalistas, índios que usam roupa, espingarda e moram em casas como os antigos invasores brancos.

Os conflitos entre eles se acirraram em 86 e 87. O fato gerou reivindicação dos caxinauás, do Rio Jordão, e ashanincas, do Envira, à Funai para a criação de uma frente de atração visando a "amansar os brabos" e pôr fim aos conflitos. Em 1988 a Funai criou o Departamento de Índios Isolados, que traçou uma política para esses povos. Essa política se resume a protegê-los em seus territórios, sem nenhum contato. Foi criada a Frente de Atração Rio Jordão - renomeada Frente de Contato Envira e, a partir de 1997, Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira - para pôr fim aos conflitos envolvendo povos isolados e os índios caxinauás, madijás, ashanincas e brancos do entorno. Os atritos foram controlados quando os ashanincas, culinas e caxinauás entenderam que os "parentes brabos" tinham o direito de continuar isolados.

A inovação da nova política indigenista dá-se em função de a Funai regularizar terras para os povos isolados sem contatá-los. Nas cabeceiras do Envira e do Tarauacá existem três terras indígenas para povos isolados: Kampa e Isolados do Envira, Alto Tarauacá e Riozinho do Alto Envira, todas demarcadas e regularizadas, somando 638.384 hectares.

Acompanhei por 22 anos a política de proteção a esses povos e posso dizer que, no mínimo, sua população dobrou. Estão sadios, com os territórios preservados e grandes roçados. Trocaram o machado de pedra, o facão de pupunha e a panela de barro por machado de ferro, facão de ferro e panela de alumínio. Querem algumas de nossas tecnologias, mas se recusam, sabiamente, a ter contato conosco desde o início do século 20, quando viram os primeiros seringueiros.

Infelizmente, nos últimos anos, a Amazônia peruana nas cabeceiras dos Rios Madeira, Purus e Juruá vem sofrendo um processo brutal de ocupação desordenada e ilegal com extração de madeira nobre, garimpo, exploração de petróleo e plantio e refino de coca, todas essas atividades também em terras de índios isolados, existentes no Peru.

Essa ocupação desordenada tem provocado a migração de grupos isolados do Peru para o território brasileiro. A fronteira entre os dois países nada significa para eles. Mas as fronteiras entre eles existem e são por eles reconhecidas. Com certeza um novo reordenamento territorial deve estar ocorrendo. Pacifica ou belicosamente.

Toda a interferência, medo e espanto que os sobrevoos devem ter provocado nos isolados sejam a mim creditados. A iniciativa de mostrar imagens desses povos ao mundo foi na tentativa de sensibilizar a opinião pública para o fato de que eles existem e que o seu futuro, como os últimos povos livres deste planeta, depende de nós. A velha máxima amazônica ainda é bem atual: "Índio brabo que ninguém vê é boato"."

Filmagem dos isolados do Alto Envira, da BBC / Survival International (ou: o aparelho de captura se esticando...)


"Após três anos, desmatamento volta a crescer"

Também na F.S.P.:
"O desmatamento na Amazônia cresceu 10% entre agosto e dezembro de 2010 em comparação com o mesmo período de 2009.
Os dados foram divulgados na terça pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base em imagens de satélite do sistema Deter, que flagra o desmatamento em tempo real. É a primeira vez desde o fim de 2007 que uma série parcial de dados do Deter indica subida no corte raso na floresta.
Foram 1.236 quilômetros quadrados desmatados entre agosto e dezembro de 2010, contra 1.145 quilômetros quadrados no período anterior. "Isso mostra que eles continuam cortando. Não tem como relaxar ou parar de fiscalizar", disse o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
Ele afirma, porém, que não é possível falar de reversão da tendência de queda.
O ano, excepcionalmente seco, com poucas nuvens, também permitiu enxergar desmatamentos mesmo durante a estação chuvosa, que começa em novembro.
O atual inverno amazônico está bastante chuvoso -em dezembro, por exemplo, só foi possível observar 28% da região, área que estava livre de nuvens.
Uma nova fronteira de devastação se consolida: o triângulo formado pelo sul do Amazonas, sob influência da rodovia BR-319, o norte de Rondônia e o leste do Acre."

"Amazônia teve pior seca em cem anos"

Saiu na F.S.P:

"Árvores mortas pela seca de 2010 podem liberar quantidade de CO2 semelhante às emissões dos EUA, diz estudo

Até agora, seca de 2005 tinha sido a pior; se mal interpretados, dados estimulam o desmate, diz cientista do Inpe

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

A seca de 2010 da Amazônia foi a pior dos últimos cem anos. E a quantidade de CO2 emitido pelas árvores mortas pode ser parecida com as emissões dos EUA.

As constatações são de estudiosos britânicos (da Universidade de Leeds) e brasileiros, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Eles publicaram um artigo na revista "Science".

O grupo de pesquisadores, liderado pelo britânico Simon Lewis, mostrou que a seca de 2010 foi mais intensa e afetou uma área maior que a estiagem de 2005 -até então considerada recorde em várias décadas.

No ano passado, uma área de 3 milhões km2 foi atingida pela estiagem, contra 1,9 milhão km2 em 2005.
Os cientistas fizeram um cálculo do desvio da média de chuvas comuns nas estações secas da Amazônia (chamado de desvio padrão).

"A intensidade da seca foi maior em 2010 em relação à média", explica o biólogo Paulo Brando, do Ipam, um dos autores do trabalho.

A segunda parte do estudo, explica ele, verificou quais as consequências dessa seca do ponto de vista dos estoques de carbono. Aí vem a outra má notícia: com as secas, a floresta emitirá mais CO2 do que absorverá.
Os pesquisadores relacionaram os dados de seca de 2010 com o crescimento das árvores (a partir de dados de campo coletados em 2005).

A conclusão foi que a seca do ano passado pode emitir 5 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera em 2010 e nos próximos anos. Isso não acontece de uma vez, já que a decomposição das árvores mortas é um processo lento.
Para se ter uma ideia do que isso significa: a emissão da queima de combustíveis fósseis dos EUA é de 5,4 bilhões de toneladas por ano. Em condições "normais", estima-se que a Amazônia absorva 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera.

"A seca de 2010 talvez tenha matado as árvores que já estavam vulneráveis por causa de 2005", explica Brando.
"Pode ser que a floresta se recupere, mas ainda não fomos para campo medir. Ainda temos muito trabalho de campo pela frente", diz.

Para o climatologista José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é preciso analisar os dados com cuidado.

"Reduzimos o desmatamento em cinco anos, mas um fenômeno natural deixou nossa absorção de CO2 na estaca zero. Se esses cálculos não forem bem interpretados, poderão ser usados a favor do desmatamento", diz.
Marengo e sua equipe já mostraram que a seca de 2010 reduziu mais os níveis dos rios amazônicos que a estiagem anterior, de 2005.""

"Novas fotos inéditas dos índios isolados do Acre"

Do Blog da Amazônia, do Altino Machado
Índios isolados observam o avião

"Índios isolados observam avião sobrevoando maloca

A Survival International divulgou nesta segunda-feira (31) novas fotos de índios isolados que vivem no Acre, perto da fronteira com o Peru. As fotos foram tiradas pela Fundação Nacional do Indio (Funai), que autorizou a organização, sediada em Londres, a utilizá-las como parte de sua campanha para proteger o território dos índios isolados.

As fotos mostram os índios em detalhe nunca visto antes e revelam uma comunidade próspera e saudável com cestos cheios de mandioca e mamão fresco cultivados em suas roças. Alguns isolados aparecem nas fotos com roupas e utensílios furtados das casas de brancos e índios da região. Os isoalados poderão ser vistos no episódio Jungles, do programa Human Planet, da BBC1, na quinta-feira (3).

Leia mais:

Índios isolados são fotografados pela 1ª vez no AC

Como sertanista matou índio isolado em situação “dramática”

Exploração de petróleo e madeira ameaça índios isolados na fronteira

A Survival alerta que a sobrevivência da tribo está em sério perigo por causa da entrada de madeireiros ilegais que estão invadindo o território dos índios isolados no lado peruano da fronteira.

As autoridades brasileiras acreditam que o influxo de madeireiros está empurrando índios isolados do Peru para o Brasil, e é provável que os dois grupos entrarão em conflito.

A Survival e outras ONGs há anos fazem campanha para que o governo peruano aja de forma decisiva para impedir a invasão, mas pouco tem sido feito.

No ano passado, uma organização dos EUA, Upper Amazon Conservancy, realizou o último de vários sobrevôos do lado do Peru, revelando mais evidências de extração ilegal de madeira em uma área protegida.

- É necessário reafirmar que esses povos existem e para isso apoiamos a divulgação de imagens que comprovam estes fatos. Esses povos têm tido seus direitos mais elementares, sobretudo à vida, ignorados… Portanto devemos protegê-los - afirmou Marcos Apurinã à Survival.

O líder indígena Davi Kopenawa Yanomami, também apoia a divulgação das imagens:

- Tem que cuidar e proteger o lugar onde os índios moram, pescam, caçam e plantam. Por isso é útil mostrar as imagens dos isolados, para o mundo inteiro saber que eles estão lá na floresta deles e que as autoridades devem respeitar o direito deles de morar lá.

O sertanista José Carlos dos Reis Meirelles, da Funai, explicou que são os povos isolados são “meio desconhecidos”.

- É difícil convencer até o próprio estado que eles existem. A partir disso, você demarcar um território maior para eles já é uma dificuldade. É um desafio porque você vai mexer com um monte de interesses. É o segundo desafio é manter realmente essa terra isenta de interferência externa - assinalou Meirelles."

Fotos: Gleison Miranda/Funai/Survival

El sueño del celta de Mario Vargas Llosa

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Hoje eu acabei de ler o livro que deu o Nobel de literatura a Vargas Llosa, El Sueño del Celta.
O livro conta a história de Roger Casement (1864-1916), que, dentre outras coisas, foi cônsul britânico no Congo Belga e relator do grupo que investigou os abusos cometidos pelos funcionários da Peruvian Amazon Company na região do rio Putumayo, na fronteira entre Peru e Colômbia.
Escrito em uma prosa simples, o livro relata as aventuras desse irlandês muito louco, desde sua ida para o Congo, onde começa sua luta contra os horrores da colonização, até a sua morte por enforcamento, depois da tentativa frustrada de conduzir um levante anticolonialista na Irlanda, em 1916.
O principal assunto do livro é a descoberta feita por Casement dos verdadeiros efeitos da colonização, apesar dos discursos que a justificavam como o trabalho de levar a civilização e a fé cristã para os selvagens. O texto é estruturado em duas linhas narrativas principais que se sobrepõem: os capítulos ímpares relatam os últimos dias de Casement na prisão, onde ele esperava ansioso saber qual fora a decisão da suprema corte britânica acerca do pedido de clemência contra sua execução por enforcamento. Os capítulos pares narram a memória de Casement de suas viagens, dando ênfase aos seus trabalhos como cônsul no Congo, quando decide escrever um relatório denunciando as práticas de tortura empregadas pela Force Publique contra os nativos do vale do rio Congo. Narram também as suas duas viagens à Amazônia peruana, quando conduziu uma investigação a pedido do Foreign Office britânico para apurar as denúncias segundo as quais a empresa de Júlio César Arana empregava formas extremas de violência contra os indígenas, para obriga-los a trabalhar na extração da borracha e do caucho.
Ao longo das viagens narradas nos capítulos pares, Casement, então funcionário do governo britânico, se descobre um nacionalista e anticolonialista irlandês, e põe-se então a colaborar com a organização de um levante pela independência de sua terra natal.
O livro é bem irregular, tendo algumas partes boas e outras meio sem graça. A construção dos personagens é um pouco superficial, e alguns diálogos são meio inocentes. Ao buscar o ponto de vista dramático de um Casement romanceado, Vargas Llosa termina por transpor toda a radical experiência do irlandês para uma interioridade problemática e culpada. Os acontecimentos testemunhados e os horrores da colonização são assim eclipsados pelos dramas íntimos de Casement. Dessa forma, a narrativa de Vargas Llosa dilui o impacto da experiência de Casement, um pouco como faz o cinema americano, ao tratar toda história como drama íntimo e familiar de um grupo pequeno de personagens. Valeria a pena comparar a apropriação da figura de Casement realizada por El Sueño del Celta com aquela radicalmente diferente, e antropologicamente subversiva, realizada por Michael Taussig.
Mesmo assim, pode-se vislumbrar no livro algo da violenta história da colonização mercantil da África e da Amazônia. Interessante também ver como já há muito tempo o lobby humanitário e a propaganda tem certo poder na Europa, desde muito antes do surgimento das grandes ONGs...
De qualquer forma, vale a leitura (sempre vale alguma coisa...).
Para baixar (via: http://library.nu/): http://megaupload.com/?d=6MUEU7UE (senha pra descompactar: ebooksclub.org).

Nas Terras do Bem-Virá

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"Por trás dos grandes empreendimentos estatais e particulares, milhões de pessoas (sub) existem, dependendo destes para continuar sobrevivendo. O filme nos conta a trajetória de garimpeiros, peões de trecho, carvoeiros, sem-terra, índios, posseiros e tantos outros personagens brasileiros. A partir das histórias desses brasileiros, a História da Amazônia nos é contada, através dos conflitos e das inúmeras violências sofridas por essa população. Da transamazônica e da propaganda do governo da ditadura até o assassinato da Irmã Dorothy, o documentário nos revela muitas das questões que estão por trás do modelo de desenvolvimento adotado no país".

Para baixar: http://www.megaupload.com/?d=8LA270Y0 (via http://acervonacional.blogspot.com/)

Em memória de Raimundo Luis Tuin Kuru Yawanawa (1929 - 20/12/2010)


Hoje o grande Raimundo Luis Tuin Kuru deixou esta vida. Depois de passar meses em Rio Branco, sentindo saudades de sua floresta, ele volta para ela em espírito. Raimundo Luis foi uma grande liderança, homem incrivelmente inteligente e de memória prodigiosa. Rigoroso, Raimundo Luis não gostava de contar as histórias de seu povo de qualquer jeito, e tudo o que ele dizia era pleno de ensinamentos. Foi uma das pessoas mais inteligentes que conhecemos, e levou uma vida repleta de experiências. Mais do que isso, Raimundo Luis pensava sobre tudo o que via e conhecia, e foi o detentor de um conhecimento que além de enciclopédico era reflexivo. Artista refinado, manteve com amor as formas estéticas de seus ancestrais. Quando o vimos pela primeira vez, sentado em um banco na beira do rio Gregório, ele nos disse: "eu sou um historiador, um artista, um professor". Com certeza foi, e ainda muito mais do que isso.

Joaquim Tashka escreveu uma mensagem muito bonita para o seu pai (http://awavena.blog.uol.com.br/). E Felipe Milanez divulgou a triste notícia com um texto bonito também (http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4853421-EI16863,00-A+despedida+de+um+grande+lider.html).

É muita treta...

As melhores fotos jornalísticas da década, segundo o Totally Coll Pix: http://totallycoolpix.com/2010/

"exportador de práticas e símbolos indígenas (mais ou menos transformados)"

"em 1970, o censo indígena da Funai indicava, para o estado do Acre, a notável população de “zero indivíduo”. Oficialmente, não havia mais índios no Acre. Aí começam a abrir as estradas por lá, a derrubar a mata, a botar boi, e eis que começam a aparecer índios a atravancar a expansão dos pastos e a destruição da floresta. (Junto com índios, como se sabe, começaram também a aparecer os seringueiros, que se imaginava como mais outra “raça” em extinção. E bem que se tentou extingui-los naquela época – lembrem-se de Chico Mendes.) Ora, índios sempre houve lá no Acre, todo mundo no Acre sabia que eles estavam lá, mas eles não existiam em Brasília, ou melhor, para Brasília. Agora sabe-se e aceita-se que o estado do Acre abriga, atualmente, 14 povos indígenas, alguns de significativa expressão demográfica, como os Kaxinauá e os Kulina. O Acre é um estado profundamente indígena, dos pontos de vista cultural, histórico e demográfico. Na verdade, ele é hoje o principal exportador de práticas e símbolos indígenas (mais ou menos transformados) para o Brasil urbano atual."

(Viveiros de Castro, em entrevista na revista Cult)

"Governo faz acordo com ruralistas e Código Florestal vai a votação na próxima terça"

Do site do ISA: http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3232

"Na sessão extraordinária desta quarta-feira, dia 8, o líder do Governo, Cândido Vaccarezza (PT/SP), anunciou publicamente o que muitos já sabiam, mas ninguém confirmava: foi feito um acordo com líderes da bancada ruralista para votar na próxima terça, dia 14, o regime de urgência para a mudança no Código Florestal. Segundo Vaccarezza, o acordo seria para votar "apenas" o regime de urgência, e o mérito ficaria para o ano que vem.

Não é "apenas" um regime de urgência. Se a proposta for aprovada, o projeto volta a plenário já no começo da próxima legislatura, para ser votado na frente da fila. Considerando que ele foi um projeto elaborado e aprovado por uma comissão amplamente dominada por parlamentares que historicamente defendem a mudança (anulação) no Código Florestal, na qual houve pouca possibilidade de debate real (praticamente todas as audiências públicas foram convocadas e organizadas por sindicatos rurais ligados à CNA), e que no começo do ano que vem temos uma nova legislatura, com 40% de deputados novos, colocar um projeto desses para ser votado logo de cara é um atentado ao bom senso.

O relatório Aldo Rebelo, como ficou conhecido, tem ainda muitos problemas, grande parte fruto da ausência de debate democrático. Premia todos os que fizeram desmatamentos ilegais no passado com a possibilidade de uma ampla anistia para quem ocupou indevidamente encostas e beiras de rio (mas os que cumpriram a lei nada ganham). Outro presente para os que não cumpriram a lei até 2008 é a diminuição da reserva legal para todos, incluindo a extinção para os imóveis de até 4 módulos, o que pode ser até 440 hectares, e corresponde a mais de 90% dos imóveis rurais no país. Algumas áreas hoje protegidas, como os topos de morro, deixam de ter qualquer tipo de proteção. Para completar a obra, abre a possibilidade de que os municípios venham a autorizar desmatamento, o que significaria o fim de qualquer tipo de controle sobre o desmatamento no Cerrado e na Amazônia. Para saber mais sobre a proposta e suas consequências, acesse o site do sosflorestas.

A aprovação do regime de urgência significará fechar as portas para qualquer tipo de debate mais amplo sobre o projeto. Significará empurrar goela abaixo da sociedade como um todo um projeto que atende aos interesses de uma pequena parcela de um setor econômico, o agropecuário, pois nem todos os agentes desse setor são contrários à idéia de que é necessário conservar nossos ecossistemas e manter os serviços ambientais. As florestas, os rios, a biodiversidade, a qualidade de vida dos brasileiros, que não querem mais ter que conviver com enchentes e secas todos os anos, não podem ser rifados num acordo de ocasião. Isso não interessa à sociedade. E se não interessa à sociedade, não deveria interessar ao governo.

Se o líder Vaccarezza está falando em nome do Governo, é porque a presidente eleita Dilma quebrou sua palavra. Se não está falando em nome do Governo, então tem que voltar atrás nesse acordo, com o qual nem o líder do PT concorda. Com a palavra o Presidente Lula e a presidente eleita, que têm que se manifestar - e agir - até a próxima terça.

Manifeste-se sobre o acordo
Se você quiser se manifestar sobre esse acordo feito em seu nome, entre em contato com o deputado Cândido Vaccarezza, no telefone 61-3215-5958 ou aqui. Vale a pena falar também com o ministro Alexandre Padilha, que cuida da relação do governo com o Congresso, e deve estar sabendo do acordo. O telefone é (61) 3411.1585 e o e-mail é sripr@planalto.gov.br"

Deriva molecular

Passeando pela rede encontramos o site do bioquímico David S. Goodsell (que ilustrou a capa da Science desse dezembro - clique aqui para baixá-la). Um exemplo legal do que acontece quando a ciência e as artes visuais se encontram...

100511_hiv_L

(vírus do HIV)

virus_hepatite_b

(vírus da hepatite B)

anticorpos

(anticorpos)

macrophagebacterium

(macrófagos vs bactéria)

ecoli

(Escherichia coli)

Na cidade as coisas são outras.

(foto de Roberto Feres, tirada do blog do altino)

desmentindo

"a vida só se organiza se desmentindo, o que é bom para uns é muitas vezes a morte para outros, sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam pra medir o mundo”

Raduan Nassar

Alô meu Acre



Alô meu Acre, meu torrão querido,
eu tenho sofrido uma saudade imensa
por viver distante da minha cidade
amargo a saudade na minha presença
vai minha homenagem a Tarauacá
Senador Guiomard, Feijó e Rio Branco
Plácido de Castro, Sena Madureira
Gente hospitaleira que eu gosto tanto
Vou a Xapuri e volto por cima
Vou a Mâncio Lima e Assis Brasil
Cruzeiro do Sul, cantando desfaço
Vai o meu abraço pra todo Brasil




(música cantada por Osmildo Kuntanawa em uma noite de cipó)

internet

"comessei ver no horizonte uma frecha de luz desse mundo maluco de informaçâes que é a internet. um dia alcansarei. è, um dia!"

Reginaldo Xakriabá (mensagem de e-mail recebida em 22/05/2007)