Fumaça VI

O Acre continua pegando fogo.
Vejam essa reportagem no Blog do Antino:

http://altino.blogspot.com/2010/09/o-acre-em-brasa.html

rã-txa hu-ni-ku-ĩ

"Em 23 de outubro de 1853 no Engenho Columinjuba, localizado no então distrito de Maranguape (CE), nascia João Honório Capistrano de Abreu. Ele fez seus primeiros estudos em Fortaleza, onde viveu até 1869, ano em que se mudou para Recife. Sua atuação como intelectual ganhou impulso em 1875, quando se transferiu em definitivo para o Rio de Janeiro. Nomeado em 1879 para o cargo de Oficial da Biblioteca Nacional, permaneceu na função até 1883. Nessa data, foi aprovado em concurso para professor de Corografia e História do Brasil do Colégio Pedro II. Uma reforma educacional surgida em 1898 colocou-o em disponibilidade e afastou-o da docência. Até seu falecimento, em 1927, Capistrano de Abreu colaborou ativamente na imprensa e dedicou-se a análises históricas e etnográfico-lingüísticas.

Além da língua Kaxinawá (da família Pano), Capistrano de Abreu devotou-se ao exame da língua e da cultura dos Bakairi (da família Caribe). Em 1895, publicou o artigo “Os Bacaeris” na Revista Brazileira, fruto de estudos que desenvolveu entre 1892 e aquele ano. A língua Bakairi ocupou-lhe, ainda, ao que tudo indica, entre 1915 e 1927. Infelizmente, essa segunda temporada de pesquisas não chegou a ter seus resultados publicados.

Merece aplauso a inclusão da obra clássica de Capistrano de Abreu sobre a língua e as narrativas tradicionais kaxinawás na Brasiliana Digital. Com suas mais de seiscentas páginas, o rã-txa hu-ni-ku-ĩ representa uma fonte de valor inestimável para lingüistas, etnólogos e antropólogos. Além, naturalmente, de constituir-se num registro de especial valor para os huni kuin (kaxinawá) que, por conta de sua digitalização, verão facilitado o seu acesso à obra.

Publicada em 1914 e batizada com o nome que os falantes nativos dão à sua língua (rã-txa hu-ni-ku-ĩ, que se pode traduzir como ‘língua dos homens verdadeiros’), ela recebeu o subtítulo “a língua dos caxinauás do Rio Ibuaçu affluente do Muru (Prefeitura de Tarauacá)” e apresenta, além de uma descrição gramatical condensada em onze páginas, mais de uma centena de textos tradicionais, agrupados tematicamente e apresentados em duas colunas: a primeira contendo a narração original em Kaxinawá e a segunda com uma tradução palavra por palavra que segue a ordem sintática do original (o que leva a construções como “mim saia faze para!”, na página 51). Entre as páginas 524 e 546, encontra-se o “Vocabulario brasileiro-caxinauá” com 1781 verbetes. Ainda mais copioso, o “Vocabulario caxinauá-brasileiro” ocupa da página 547 à 621 e reúne 4329 verbetes.

Resultado de um trabalho intenso, duradouro e minucioso, empreendido com o auxílio de dois informantes nativos enviados ao Rio (Borô e Tuxinĩ, a quem Capistrano de Abreu chama “co-autores” da obra), o rã-txa hu-ni-ku-ĩ foi considerado um trabalho exemplar pela comunidade internacional de especialistas em línguas sul-americanas dos anos 1890-1929, que se via frente ao desafio de registrar o mais rapidamente possível culturas julgadas fadadas a desaparecer em pouco tempo por conta do avanço da exploração econômica. Paul Rivet (1876-1958) e Theodor Koch-Grünberg (1872-1924), dentre outros americanistas de relevo na época, declararam sua admiração pela obra em artigos, resenhas e cartas privadas e apontaram o Kaxinawá como a língua sul-americana melhor descrita até então. 

Como uma primeira versão da obra foi consumida pelo fogo durante o grande incêndio da Imprensa Nacional em 15 de setembro de 1911, o rã-txa hu-ni-ku-ĩ editado em 1914 corresponde a uma segunda tentativa de Capistrano de Abreu de concretizar a publicação de um trabalho sobre a língua e as narrativas tradicionais kaxinawás. Por iniciativa da Sociedade Capistrano de Abreu e com patrocínio de Guilherme Guinle, uma segunda edição do rã-txa hu-ni-ku-ĩ veio a público em 1941, contendo “emendas do autor” levantadas pelos editores em dois exemplares da primeira edição.

Em tudo fiel aos referenciais teórico-metodológicos dos sul-americanistas do início do século XX, o trabalho de Capistrano de Abreu sobre a língua e as narrativas kaxinawás tornou-se um dos únicos a colocar em prática o ideal de descrição lingüística daquela comunidade de especialistas: a investigação a partir dos textos tradicionais, que eram considerados uma porta de entrada privilegiada para a ‘língua real’ das comunidades indígenas".
Texto escrito por Beatriz Christino. Postado originalmente na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.

Queimadas se espalham pelo País

"As queimadas que se espalham pelo País somadas à estiagem estão diminuído reservatórios naturais, rios e córregos. No Pantanal de Mato Grosso, a Baía de Chacororé – terceiro maior reservatório de água doce do Brasil – registra o mais baixo nível em 38 anos. Em Rio Branco, o Rio Acre, principal manancial de abastecimento da capital, está com só 1,90 metro. O recorde, em 2005, é de 1,75 metro.

Como a estiagem na região amazônica se encerra apenas em meados de outubro, ambientalistas acreditam que o quadro deve se agravar. Para Mato Grosso, onde não chove há mais de cem dias, a previsão é de chuvas apenas na segunda quinzena de setembro. Ontem, as queimadas deixaram parte do Acre e Rondônia sem energia elétrica, após o foco atingir o linhão entre Jaru e Vilhena (RO). O número de focos tem crescido a cada dia. O Instituto de Meio Ambiente do Acre emitiu em 24 horas 73 autos por desmates e queimas ilegais. O Estado não registra chuvas há 23 dias. A fumaça que encobriu o pico da Serra da Bodoquena denunciou o incêndio que há três dias consome a Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. A região é de difícil acesso".
(no Estadão)

O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial


Sekigun-PFLP: Sekai senso sengen é um filme lançado em 1971 pela dupla de japoneses Masao Adachi e Kôji Wakamatsu. Depois de apresentar dois filmes na Quinzaine des Réalisateurs, em Cannes, Wakamatsu e Adachi decidiram juntar-se ao Japanese Red Army em Beirut. Lá eles fizeram esse filme, que documenta as atividades cotidianas dos membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina.

O filme começa definindo a melhor forma de propaganda como a luta armada, e explica: se propaganda é informação, e informar é comunicar a verdade, e a suprema forma de verdade é a luta armada - então a luta armada é a melhor forma de propaganda. E o narrador continua: "é verdade que o sistema mundial de propaganda discursiva influencia enormemente a opinião pública internacional. Mas é pelas pessoas que lutam para libertarem a si mesmas através da luta armada que as coisas são decididas em última instância. Claro que cada um de nós está ciente de que o sistema de propaganda do imperialismo americano é o maior que já apareceu na história humana. Eles dominam as redes mundiais de televisão e de jornalismo, e dão às pessoas uma falsa educação, através de filmes que maliciosamente dizem o que eles querem. As pessoas no Vietnam do Sul, não têm televisão ou jornais próprios, mas eles lutam com a vontade firme - a sua única arma - contra o sistema imperialista. E o que está acontecendo agora? O gigantesco sistema de propaganda dos Estados Unidos não consegue mais convencer as pessoas de que essa guerra é certa. Conforme o tempo passa, o povo norte-americano vai se cansando, e começa a se opor a essa guerra. Isso é propaganda, a nossa propaganda. Propaganda é ação e luta. Essa é a suprema forma de propaganda".

O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial é então uma peça de propaganda - não é um documentário padrão, nem uma aula de história. O filme toma parte na história de uma maneira consciente e incisiva. O que Adachi e Wakamatsu fizeram foi criar uma espécie de arma - e o filme define: "as armas são a linguagem dos povos oprimidos".

Em 2009, numa entrevista ao Cahiers du Cinéma, Wakamatsu diz que, depois de realizar esse filme, "os países europeus fecharam-me as portas e ainda hoje, não tenho o direito de visitar os Estados Unidos. Foi um filme que realmente mudou a minha vida e me encurtou as liberdades". Com um tom um pouco amargurado, ele ainda completa: "hoje penso que apenas podemos mudar o Mundo através da via eleitoral".


Vale a pena ver, pois o filme ainda hoje dá o que pensar - sobre as lutas de um passado recente; sobre as lutas futuras; sobre o uso muito concreto da palavra (aqui também "a palavra é uma arma"); sobre o uso da paisagem no documentário (para além de ser uma forma de ocultar aqueles jovens que estavam fazendo treinamento no Líbano); sobre a propaganda da extrema-esquerda; etc. etc. etc.

ps: Engraçado um comentário que lemos em algum lugar sobre esse filme: "se você deseja saber como montar um Kalashnikov (i.e., um AK-47) ou como carregar um cinto de munição em uma metralhadora, então O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial definitivamente pode ajudar".

Links pra baixar:
http://hotfile.com/dl/64338442/f4329f0/ThReArm71.part1.rar.html
http://hotfile.com/dl/64350213/df74099/ThReArm71.part2.rar.html
http://hotfile.com/dl/64351726/7d7a30b/ThReArm71.part3.rar.html
http://hotfile.com/dl/64362934/8af159f/ThReArm71.part4.rar.html

Fumaça V

Foto: Altino Machado (in: http://altino.blogspot.com/2010/08/horizonte-perdido.html)

Rio Branco tá osso: o clima tá muito seco, e a fumaça das múltiplas queimadas invade a cidade. Dizem que o verão 2005 também foi assim - quando aconteceu uma das piores secas da Amazônia. Acho que só uma vez estivemos em um lugar assim tão enfumaçado: quando passamos uma semana na Baixada Fluminense, no RJ, por ocasião de um show do Razão Social. A impressão que temos daqui é que o Brasil tá pegando fogo - e está mesmo.

Fumaça IV

"Queimadas no Brasil aumentam 85%, informa Inpe

Esta é a primeira variação positiva para o período janeiro-agosto desde 2007

 O número de focos de queimada no Brasil, acumulado desde 1º de janeiro e até a última quinta-feira, 12, chegou a 25.999, ante 14.019 no mesmo período do ano passado, uma variação, em termos relativos, de 85%.
Reprodução/Inpe
Reprodução/Inpe
Mapa do risco de fogo na América do Sul para o sábado, 14/08; vermelho escuro marca área crítica

Frente fria traz umidade e reduz temperaturas no Centro-Oeste
Incêndio destrói mais de 70 imóveis e deixa dezenas de desabrigados em MT

De acordo com relatório do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe), esta é a primeira variação positiva para o período desde 2007, quando o número de focos superou os de 2006 em 154%. Nos últimos anos, a tendência vinha sendo de queda, com redução de 70% em 2008 e 20% em 2009.
 As unidades da federação que registraram os maiores aumentos de número de queimadas entre o ano passado e este são Tocantins (407%), Piauí (365%), Distrito Federal (250%). Estados como Maranhão, Minas Gerais, Pará, Goiás e Bahia mais que dobraram o número de focos. As principais reduções ocorreram no Rio Grande do Sul (-63%), santa Catarina (-53%) e Acre (-53%).
Apenas entre o fim da noite de quarta-feira e as 13h30 desta sexta, foram anotados 15.183 focos de queimada no Brasil."

(No Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,queimadas-no-brasil-aumentam-85--informa-inpe,594710,0.htm)

Fumaça III

Agora sim, a coisa ficou feia...

"Acre decreta estado de alerta ambiental

O governo do Acre decretou estado de alerta ambiental por causa de incêndios florestais e queimadas fora de controle. A quantidade de focos cresceu 123% em comparação a 2008 e 587% em relação ao ano passado.
De acordo com a Agência de Notícias do Acre, o decreto levou em consideração advertência do Comitê de Gestão de Riscos Ambientais (CGRA) e foi firmado em encontro extraordinário do grupo. O ar sem umidade, com previsão de frio e ventos, pode tornar mais grave as condições na área rural e nas cidades.
O decreto criou também a Sala de Situação, que funcionará no gabinete do governador e acompanhará em tempo real a situação." (no Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,acre-decreta-estado-de-alerta-ambiental,593576,0.htm).

Fumaça II

Do "Ambiente Acreano":

"RISCO DE FOGO NO LESTE DO ACRE É CRÍTICO

Focos de calor estão sendo detectados por todo o Estado. Falta de chuvas e baixa umidade continuam a favorecer a ocorrência de queimadas.

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Dados do INPE/CTPEC indicam que o risco de fogo no Acre aumentou e agora é crítico em praticamente todo o território do Estado (imagem ao lado, áreas em vermelho escuro).

Entre ontem e hoje pela manhã, focos de calor passaram a ser detectados em praticamente todas as regiões do Acre. Na semana passada, os focos se concentravam apenas na região leste.

Uma avaliação da previsão climática dos próximos dias publicada pelo Dr. Foster Bronw, do WHRC e PZ/UFAC na página do GTP-Queimadas do Forum MAP, indica que as condições para a ocorrência de incêndios florestais no Acre são extremamente favoráveis. Precipitações na região leste do Acre só estão previstas para acontecer entre 13 e 14 de agosto, e mesmo assim em quantidades muito baixas. A umidade relativa do ar deverá estar um pouco mais elevada porém picos de 20-30% acontecerão diariamente nos próximos 3 dias. Um fator que poderá minorar a ocorrência de queimadas sem controle na região será a quase ausência de ventos fortes pelos próximos 3 dias."

Fumaça

Pra fazer um contraditório com uma postagem aí de baixo:

"Fumaça em Rondônia e no Acre chama atenção
Áreas no Acre e em Rondônia estão com problemas de visibilidade por conta da fumaça. Centenas de focos de fogo sobre os dois Estados produziram uma densa camada de fumaça que persiste desde o início da semana. Vários aeroportos da região estão sofrendo com problemas de visibilidade, como o de Rio Branco. Os focos são decorrentes de queimadas, que se alastram nesta época do ano por conta da limpeza de terrenos para o plantio de novas culturas. A falta de chuva agrava o problema e faz com que o fogo se alastre mais rapidamente. A situação tende a piorar. Não há previsão de chuva para a região nos próximos dez dias" - OESP, 8/8, Vida, p.A27.

"National Geographic documentary on Santo Daime"

Esse é o documentário pra TV produzido pela National Geographic sobre o Santo Daime. As imagens foram colhidas na comunidade Fortaleza... É da NG, então tem que dar um desconto. O próprio nome da série que contextualiza o programa sobre o Santo Daime  já diz tudo sobre a perspectiva da NG - "Taboo". Mas é interessante...
Em três partes:
 
http://www.youtube.com/watch?v=Pi4sna7yVoo

http://www.youtube.com/watch?v=f3d3RbtTyK4

http://www.youtube.com/watch?v=HWTsI0IQ8t4

Tapecuim p.III

Imagem do satélite Modis Aqua, da NASA, que congrega os focos de calor detectados nos últimos 10 dias em todo o mundo.

3 filmes de Fernando Pino Solanas



Diretor argentino nascido em 1936, ex "diputado nacional", idealizador da Telesur, Pino Solanas faz do cinema a sua política. O site foriegnmoviesddl.com subiu pra rede 3 filmes dele: Tierra sublevada; Memoria del saqueo; e La dignidad de los nadies.

Vale muito a pena assistir...

Quién alimenta al mundo

Síntese do documento da ETC, feita pelo site GRAIN Biodiversidad (http://www.grain.org/biodiversidad/?id=479). Link para o documento original: http://www.etcgroup.org/en/node/4921.

"Presentamos tres fragmentos de uno de los más recientes documentos de investigación del Grupo ETC, con atisbos y cifras del universo de personas, colectivos, comunidades, grupos, que reivindican el cultivar sus propios alimentos [en su sentido más vasto] en todo el mundo y que son muchos más de lo que luego suponemos. Campo y ciudad. Cultivo, recolección, animales de corral, pastoreo, caza y pesca. Este retrato contradice a una industria alimentaria que presume tener las soluciones para el hambre en el mundo. La edición es responsabilidad de Biodiversidad.

La cadena alimentaria industrial. El modelo agroindustrial habla de una “cadena” alimentaria, con Monsanto en un extremo y Wal-Mart en el otro: una cadena sucesiva de empresas agroindustriales, fabricantes de insumos (semillas, fertilizantes, pesticidas, maquinaria) vinculadas con intermediarios, procesadores de alimentos y comerciantes al menudeo.
Noventa y seis por ciento de toda la investigación agrícola y sobre alimentos ocurre en los países industrializados y el 80 por ciento de esa investigación se ocupa del procesamiento y distribución de alimentos. En la última mitad del siglo pasado, la cadena alimentaria industrial se consolidó tanto que cada eslabón —de la semilla a la sopa— lo domina un puñado de multinacionales que trabajan con una lista de bienes de consumo cada vez más restringida, que tiene a la humanidad en peligro de desnutrición o sobrepeso.
La cadena alimentaria industrial se enfoca en menos de 100 variedades de cinco especies de ganado. Los fitomejoradores corporativos trabajan con 150 cultivos pero se enfocan en apenas una docena. De las 80 mil variedades comerciales de plantas que hay en el mercado, casi la mitad son de ornato. Lo que resta de nuestras mermadas reservas de peces viene de sólo 336 especies, que son dos terceras partes de las especies acuáticas que consumimos. Al perderse biodiversidad, el contenido nutricional de muchos de nuestros granos y hortalizas ha caído entre el 5 y el 40 por ciento, de modo que hoy tenemos que comer más calorías para obtener los mismos nutrientes que antes.
Ante el caos climático, la cadena alimentaria industrial nos impone un régimen de patentes que favorece la uniformidad por encima de la diversidad y refuerza un modelo tecnológico al que le cuesta más tiempo y dinero obtener una variedad diseñada en laboratorio que lograr cientos de variedades convencionales. En resumen, las empresas no saben quiénes padecen hambre, dónde se encuentran o qué necesitan.
El Banco Mundial y muchas agencias de desarrollo bilateral creen en la falacia de que el desarrollo agrícola puede escoger a voluntad qué eslabones de la cadena prefiere aprovechar. Esta visión es ingenua. La razón por la que empresas como Monsanto, DuPont y Syngenta (que controlan la mitad de la oferta comercial de semillas patentadas y más o menos el mismo porcentaje del mercado mundial de pesticidas) se concentran en engendrar cultivos como el maíz, la soya, el trigo y ahora el arroz es porque las grandes compañías procesadoras de alimentos, como Nestlé, Unilever, Kraft y ConAgra pueden manipular sus baratos carbohidratos como relleno (estos cuatro cultivos constituyen dos tercios del aporte calórico para los consumidores estadounidenses) y convertirlos en miles de productos alimentarios (y no alimentarios) que le “dan volumen” a mercancías más caras. A su vez, las empresas procesadoras buscan, por todos lo medios posibles, cumplir las exigencias de las grandes empresas de comercio al menudeo, como Wal-Mart, Tesco, Carrefour y Metro, las cuales demandan productos baratos, uniformes y predecibles en sus estantes y no dudan un instante en intervenir en otros eslabones de la cadena alimentaria para dictar el modo en que deben producirse los alimentos (y elegir cuáles agricultores serán aceptados)
Por medio de una cultura corporativa y mercados compartidos, algunos de los eslabones de la cadena alimentaria han desarrollado fuertes vínculos informales: por ejemplo, Syngenta mantiene una estrecha relación con Archer Daniels Midland; Monsanto con Cargill y DuPont con Bunge.1 El modelo industrial es una cadena cargada de grilletes. Comprar en alguno de los segmentos implica comprar en todos los segmentos del modelo.

Chile: Lenguas indígenas son consideradas Patrimonio de la Nación

"Servindi, 16 de julio, 2010.- Con una importante concurrencia se desarrolló los días 13 y 14 de julio el primer Congreso de las Lenguas Indígenas de Chile en la Universidad de Santiago de Chile (USACH).

En el evento se dio cuenta de la situación actual de los diferentes pueblos indígenas del país, con el objetivo de fortalecer el movimiento indígena, sensibilizar a la sociedad chilena, proponer medidas jurídicas y establecer redes sociales que promuevan la revalorización de las lenguas indígenas.

El encuentro fue auspiciado por la Facultad de Humanidades de la USACH y sirvió para plantear la importancia de rescatar “las lenguas indígenas como riquezas del patrimonio de la Nación”.

Según indicó la académica del Departamento de Educación, Elisa Loncón, la poca valorización de las lenguas indígenas influye en los resultados académicos de la IX Región.

“Los profesores no tienen herramientas y no están formados para enseñar las lenguas madres de estos niños. Por este motivo les va mal en lenguaje y matemáticas, obteniendo bajos resultados” refirió.

También preocupa a Elisa Loncón la atención de salud en sectores del país con alto porcentaje indígena. Recordó el compromiso del actual Presidente que en su primer discurso ofreció crear más hospitales con sistemas médicos que incluyan la medicina tradicional y alternativa mapuche.
Universidad comprometida con la interculturalidad

Alicia Salinas, Coordinadora Nacional del Programa Intercultural Bilingüe del Ministerio de Educación, valorizó el aporte que realiza la USACH.

Indicó que “para el mundo de la enseñanza de las lenguas indígenas es vital el apoyo de las universidades, porque contribuyen a formalizar la enseñanza de la lengua y ademásler permite abrirse hacia la interculturalidad”.

Rodrigo Vidal, Vicerrector de la USACH, mencionó que “en Chile sólo existen cuatro lenguas indígenas vivas: Mapudungun, Quechua, Aymara y Rapa Nui que han sobrevivido gracias a la resistencia de sus propios hablantes” y que constituyen “riquezas del patrimonio de la nación”.

Nabor García, Consejero de la Embajada de España dijo el evento “refleja el interés creciente de todo el problema cultural de los diferentes pueblos indígenas” y valoró que las universidades se interesen pues “permite una aproximación científica, seria e históricamente solvente”.

Mawrianela Cartes, Coordinadora Regional del Programa Educación Bilingüe en la Región del Biobío, destacó que el evento contribuyó a “visibilizar la diversidad cultural de este país que muchas veces está negada”. “Haberse realizado en la capital del país tiene un sentido aún más importante” expresó.

Domingo Namuncura, profesor de la Universidad Academia de Humanismo Cristiano y ex director de la CONADI, reconoció que la temática indígena florece en diferentes espacios académicos y de manera especial en la USACH."

(link: http://www.servindi.org/actualidad/28867)

Demanda americana por mogno ameaça tribos isoladas no Peru

Do Blog da Amazônia:

Indígena murunahua contatado recentemente no sudeste do Peru.


"Relatório da organização Upper Amazon Conservancy (UAC), reforçado pela Survival International, denuncia a exploração ilegal de mogno em grande parte da Reserva Territorial Murunahua, na região do departamento peruano de Ucayalli, na fronteira com o Acre, destinada a proteger etnias indígenas que vivem em isolamento voluntário.

Entre março e abril, a UAC documentou a existência de acampamentos madeireiros e árvores derrubadas ao longo da reserva de 481,5 mil hectares. A reserva, adjacente ao Parque Nacional Alto Purús, serve de refúgio para os últimos grupos de índios isolados.

O relatório da UAC foi lançado apenas um mês após a viagem ao Peru da Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, quando encontrou com o presidente Alan Garcia e afirmou que “os Estados Unidos e o Peru estão trabalhando juntos para proteger o meio ambiente”.

A presença de madeireiros em território peruano tem contribuído para forçar que índios isolados procurem refúgio em território brasileiro, no Acre, numa das regiões mais remotas do país. De acordo com a UAC, mais de 80% do mogno que o Peru exporta se destina aos Estados Unidos.

A UAC afirma que a exploração de madeira é “generalizada” na reserva, e que “uma grande rede de estradas para a exploração de madeira” é utilizada por “mais de uma dúzia de tratores”, ligando a reserva a um afluente importante da Amazônia.


Pranchas de mogno abandonadas nas cabecerias do rio Juruá


O relatório revela como os madeireiros estão levando as autoridades peruanas e americanas a crerem que o mogno foi obtido legalmente.

- A exploração ilegal de madeira evidencia que o Perú não está cumprindo seus compromissos ambientais e florestais estabelecidos no Tratado de Livre Comércio que firmou com os Estados Unidos. Além disso, a exploração ilegal viola a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestre, na qual está incluído o mogno - afirma a UAC.

Durante sobrevôo, a UAC constatou balsas com toras de mogno retiradas recentemente, o que indica que o campamento continua sendo usado como um centro de transporte de mogno ilegal obtido da Reserva e do Parque.

Existe um segunda base madeireira que, de acordo com os indígenas, é igual a que está localizada nas cabeceiras do rio Mapuya, que vem sendo usada há vários anos para coletar e transportar mogno da Reserva Murunahua.

Os madeireiros ilegais usam motosserras para transformar as toras de mogno e pranchas largas. A madeira ilegal é transportada para a cidade Pucallpa, através dos rios Mapuya, Inuya y Ucayali. A madeira passa em frente ao posto de controle forestal localizado no Inuya, estabelecido especialmente para evitar o transporte de madeira ilegal.

A madera é retirada com permissões emitidas para oerações florestas legais dentro de concessões florestas autorizadas. As permissões exigem “prueba” de que a madeira foi extraída legalmente e de acordo aos planos de manejo aprovados, mas não de uma área protegida ou não registrada. Quando a madeira é finalmente transportada em caminhões até Lima, conta com toda a documentação necessária para ser exportada aos Estados Unidos e outros mercados internacionais.

Acampamento madeireiro na Reserva Murunahu

Fotos: Chris Fagan/Upper Amazon Conservancy".

A história da história da Copa

"Eu tenho uma memória, graças a Deus, muito boa. Lembro de quase tudo. Agora que eu to meio perdido, mas vou te contar uma história, que eu contei essa história quarenta anos depois.

Tratava-se do seguinte: Em 1978, eu era gerente do Banco Nacional, aqui na Avenida do Contorno, lá no Floresta. E de manhã, era véspera da Copa do Mundo na Argentina. E eu comentava com os companheiros de banco, dizia que me lembrava da Copa de 38. Quer dizer, de 38 para 78, 40 anos tinham se passado.

Aí a turma falou: “Ah, você não lembra nada”. Aí eu disse: “lembro sim, e lembro do primeiro jogo”, que foi Brasil e Polônia, que foi 6 a 5. Naquela época, o Leônidas da Silva perdeu as chuteiras e jogou descalço uma boa parte do tempo. Hoje não pode mais, se alguém perder qualquer coisa do uniforme tem que sair do jogo e vestir, né? Mas eu me lembro que aí, no segundo jogo, o Brasil jogou com a Tchecoslováquia. Essa Copa foi na França. Então, o Brasil empatou com a Tchecoslováquia, em 1 a 1. E o desempate naquele tempo era outra partida, e o Brasil, na terça feira, jogou com o time todo azul, o time azul, o time reserva, todo o time. O técnico, o Ademar mudou tudo, e acabou ganhando da Tchecoslováquia, por 2 a 1.

Muito bem. Naquele tempo também tinha muito pouco time que jogava, não é igual essa Copa agora, que foram 32 times, né? Naquele tempo deviam ser uns 8 ou 10 no máximo. E então, o Brasil ia jogar com a Itália, no dia 26 de maio de 1938. E lá na minha terra, lá no Alto Rio Doce, eu com 12 anos, doido pra ouvir o jogo, eu fazia parte da banda. E então o padre Zé Pinto marcou a procissão pra na hora do jogo. E naquele tempo padre mandava demais, o padre mandava em tudo. Quem rezava, e era quase a maioria, ia pra procissão. E eu também tinha que ir, porque a banda fazia parte lá, tocando. Tinha as três bênçãos. Saía da Igreja da Matriz, descia, no Caxangá tinha uma benção. Passava ali a benção, demorava uns quinze a vinte minutos, saía novamente de procissão, subindo a rua lá da escadinha, e ia pra Igreja do Rosário, pra fazer a segunda benção.

Neste momento, quando passamos em frente à alfaiataria do Seu Lico e o coreto do jardim, tinha só uma pessoa ouvindo o rádio, era um senhor que não era de lá, até, era um fiscal federal, que era do estado do Rio. Ele ficou ali sozinho ouvindo o jogo, da Itália com o Brasil. Quando nós passamos em frente ao coreto, a banda tocando, nós olhamos, eu pelo menos olhei lá pra cima, e ele fez um sinal com o olho assim, que a coisa não tava boa. Aí a procissão andou mais uns vinte, trinta metros, e entrou na igrejinha. A turma toda largou os instrumentos da banda no chão, lá no passeio, e os músicos correram e eu fui atrás. Corremos lá pro coreto. Chegamos lá o Brasil estava acabando de fazer um gol. Mas não conseguiu, acabou sendo eliminado, e perdemos por 2 a 1. Essa é a história de 38.

Aí então, conforme eu estava contando pros companherios em 78 lá no banco, eles começaram a me gozar: “você não lembra disso nada, isso é chute!”. E eu: “eu não, to falando pra vocês, se vocês querem acreditar, bom, se não querem, não acredita”. Mas nesse momento entrou um senhor no banco, o banco já estava na hora do expediente externo, e entrou um homem lá pra pagar uma conta de luz, e não sei o quê. Aí eu falei assim: “ô Geraldo, vem cá”. O Geraldo entrou lá dentro no exepediente do banco. E eu: “ô Geraldo, quê que aconteceu no dia 26 de maio, de 38, dia de Corpus Christi?”. Na mesma hora também ele lembrou: “é, o Brasil perdeu pra Itália, né? E nós até hoje estamos...”

É uma história que eu lembro. E olha que eu já estou com 76, e lembro desses dados de 78, e consequentemente de 38."
(José Nery Matos, 2004)

Professor pesquisador Isaias Sales Ibã



Rio Cipó, novembro de 2008 (a música é do companheiro Marcelo Piedrafita)

Copalitarismo

"A Fifa exigiu e os sul-africanos criaram tribunais especiais para julgar casos relacionados à Copa do Mundo. Nesses eficientes e duros tribunais são julgados de torcedores brigões a holandesas fazendo propaganda ilegal.
(...)
Os tribunais especiais foram estabelecidos na África do Sul por exigência da Fifa. Estão decorados para a Copa, mas não se deixe enganar pelo ar de festa. Por imposição da Fifa, os julgamentos tem de ser em curtíssimo prazo e as penas, aplicadas imediatamente.
(...)
As penas são severas: um homem que furtou o celular de um turista estrangeiro foi condenado a cinco anos de cadeia. Dois assaltantes que roubaram o equipamento de um fotógrafo trabalhando na Copa pegaram 15 anos.
(...)
Os mesmos tribunais ajudaram a deportar rapidamente torcedores argentinos sob a suspeita, levantada pela polícia, de que poderiam participar de arruaças.

Justiça rápida resolve? "Resolve", diz a juíza, já em seu gabinete. Aqui normalmente leva muito tempo até um caso ser resolvido. No caso da Copa, esquadrões especiais de investigação reúnem provas, evidências e municiam a acusação em prazo recorde, baseados em dispositivos legais que a Fifa mandou acrescentar às leis do país.

Um deles permitiu que as autoridades sul-africanas prendessem duas holandesas que usavam minissaias nas cores de uma cervejaria européia concorrente da cervejaria que é patrocinadora da Fifa."

(no link: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-tribunais-de-excecao-da-fifa?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter)

Reforma na Lei de Direitos Autorais

"O Ministério da Cultura (MinC) lança na segunda-feira a consulta pública que ajudará a definir o texto da reforma da Lei de Direitos Autorais. Foram vários adiamentos sucessivos e muita discussão – principalmente entre o MinC e as entidades de arrecadação privada. A consulta pública será totalmente online. “A ideia é debater aspectos mais ou menos nos moldes do Marco Civil da Internet”, explica Alfredo Manevy, secretário executivo do MinC.
“Eu acho que o processo demorou bastante, bem mais do que o previsto. Poderia ter sido concluído há um ano e meio”, critica Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O grupo participa da Rede pela Reforma da Lei de Direito Autoral, que reúne 20 organizações (como CTS-FGV, UNE e Idec) e pressiona o MinC a liberar o texto desde o ano passado.

Distração. O temor é que o debate perca força por causa da Copa do Mundo e das eleições. Além da pressão pela aprovação, o MinC também enfrentou resistência das entidades privadas contrárias à mudança. A Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) diz, por exemplo, que a lei 9.610 é atual e precisa só de retoques.
A principal diferença é que a nova legislação prevê um espaço para uso amigável e também mais flexibilidade para os autores discutirem prazos e condições de cessão de direitos, além da criação de um Instituto Nacional de Direito Autoral responsável por regular a atuação das entidades privadas. Esse é o ponto mais criticado pelas entidades de arrecadação, que acusam o MinC de estatização. O Ministério prefere definir as mudanças como a “criação da figura de um ‘Estado indutor’”.
Por ser tão restritiva, a legislação anterior, a lei 9.610, de 1998, foi considerada pela ONG Consumers International como a sétima pior do mundo em termos de acesso à educação. Ao pé da letra, a atual LDA proíbe fotocopiar livros para fins educativos, copiar obras para fim de conservação e usar pequenos trechos para remix. A nova legislação deve criar mecanismos para legalizar esses três exemplos.
“A ideia é ter um mecanismo para os autores ficarem mais independentes”, diz Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em direitos autorais do MinC. Além disso, “a proposta é que 50% do valor da obra vá para o autor”. O Instituto de Direito Autoral não determinará valores, mas definirá regras básicas de atuação das entidades de arrecadação. “É meio obrigatório existir gestão coletiva. Mas esses órgãos precisarão ser registrados no ministério.”
Acesso. A legislação não só deve proteger e garantir que o autor receba por sua criação mas também garantir que o público tenha acesso aos bens culturais – e é esse o ponto criticado pela Consumers International. O novo projeto de lei deverá prever uma série de exceções e limitações para que, por exemplo, seja permitido digitalizar um filme cujo diretor não seja mais localizável. E também regulamentará o remix, a possibilidade de uso de pequenos trechos da obra. “A ideia é criar flexibilidade para que se possa usar uma obra sem infringir os direitos autorais”, diz Barrichello.
Para Para Ortellado, a reforma da lei traz avanços importantes, mas poderia trazer mudanças mais ousadas – como a diminuição dos prazos de proteção (que continua a ser de 70 anos) e a regulação do compartilhamento na internet. “Poderíamos aproveitar essa janela de oportunidade”, sugere. “É preciso falar mais em trazer remuneração pela música na internet”, sugere o produtor Pena Schmidt, que, junto de Ortellado, também assina o manifesto pela mudança da LDA. “Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”"

(no Estado de São Paulo, 13 de junho de 2010. Link para baixar o livro "direito autoral em debate")

O carrasco da floresta, por José Ribamar Bessa Freire

- "O deputado Aldo Rebelo me agrediu, bateu no meu corpo com um porrete, rasgou minha camisa, tentou me eliminar a mando da senadora Kátia Abreu! Há testemunhas. Estou registrando a queixa. Ele vai pagar caro por essa agressão, vai perder a eleição".

Quem fez essa denúncia grave, em entrevista exclusiva à coluna Taquiprati do Diário do Amazonas, foi o jurista Curupira Ramos, sentado sobre um jabuti que lhe servia de banco, em sua casa no meio do mato, com as pernas cruzadas, os pés virados para trás, o cabelo vermelho, os dentes verdes, as orelhas enormes e o corpo tão peludo quanto o do seu sobrinho Tony Ramos (a genética é impressionante, não falha nunca!).

Taquiprati (TQPT) - Doutor Curupira, o senhor existe de verdade?

Curupira (C) – Lógico! Se eu não existisse, não poderia ser agredido. Essa pergunta é impertinente, você deve fazê-la ao Aldo Rebelo. Aliás, minha existência é reconhecida pelo projeto de lei federal nº 2.762 que cria o Dia do Saci – o único que Aldo apresentou em 2003, como líder do governo. Ora, se até o meu primo, que tem uma perna só, existe...

TQPT – Desculpe, Excelência, é que dizem que vós sois uma invenção do homem.

C – (arregalando os olhos negros) E daí? O Código Penal também é uma invenção do homem para organizar a sociedade! Só porque foi inventado não têm vida? Claro que tem! Aliás, existe justamente porque foi criado. As pessoas acreditam no Código Penal e pautam seu comportamento em função dele. Tudo aquilo que o ser humano cria, passa a existir. A alegria e a tristeza também não têm forma física, mas existem porque a gente pensa nelas. Os homens pensam em mim. Sou pensado, logo existo.

TQPT – O que é que Vossa Excelência faz, afinal, na vida?

C – Sou legislador e, ao mesmo tempo, guardião da mata. Crio leis de proteção ao meio ambiente. Defendo a vida e a floresta. Protejo as árvores, os animais, os rios da ação predatória e burra. O fundamento filosófico de nossa legislação é que a natureza existe para todos nós, devemos retirar dela exclusivamente aquilo que é necessário para nossa sobrevivência. Devemos repor o que tiramos. Se não for assim, a espécie humana desaparece. Por isso, criei um código que, como a Constituição dos EUA, não é escrito, são leis que fazem parte do direito consuetudinário. Castigo e puno os predadores que cometem crime ambiental.

TQPT – Punir como? O Meritíssimo tem poder de polícia? Pode exemplificar?

C – Perfeitamente! Minhas leis são codificadas em narrativas. O código escrito tem artigos e parágrafos. O código oral tem histórias e exemplos. Quem entendeu isso muito bem foi Couto de Magalhães, um advogado mineiro. Quando ele assumiu a presidência do Pará, em 1865, compilou a legislação oral, recolhendo centenas de histórias na língua nheengatu, contadas por índios e cabocos. Numa delas, um caçador índio mata uma veada recém-parida. Quando chega perto do corpo inerte, descobre que é o cadáver de sua própria mãe. Esse encantamento foi obra de Anhanga. Essa é a pena para quem não respeita o período de procriação e amamentação dos animais: mata a própria mãe. Os povos da floresta acreditam nisso como os povos urbanos crêem no Código Penal. E é porque acreditam que preservaram a diversidade da vida.

TQPT – Mas o deputado Aldo Rebelo não sabia disso tudo, quando nessa quarta-feira, 9 de junho, na Comissão Especial da Câmara, terminou a leitura do seu parecer para mudar o Código Florestal Brasileiro?

C – Não quero ofender, mas aqui pra nós, muito em off, o Aldo é meio obtuso, bronco, parece que comeu coquinho de tucumã. Seu parecer de 270 páginas demonstra profunda ignorância sobre a história e a as culturas amazônicas. Afirma que “índios e caboclos, depois de lutar contra o meio inóspito, ainda vivem como viviam seus antepassados há centenas ou milhares de anos, dominados pelas forças da natureza, perambulando nus ou seminus, abrigados em choças insalubres”... (pg.21) Quá-qua-ra-qua-quá! Nenhum pesquisador no mundo assina embaixo de tal bobagem.

TQPT – Doutor Curupira, o meritíssimo já encontrou com o Aldo lá na floresta? Porque se ele fala tanto, é porque deve ter andado por lá...

C - O Aldo é um urbanóide, nunca colocou o pé na floresta. Por isso, acha que a mata é hostil. É hostil lá pra ele e pras negas dele, não para os povos que fizeram da floresta sua morada. Aldo fala em ‘choças insalubres’, mas o arquiteto Severiano Porto elogia a construção de malocas, confessa que aprendeu arquitetura com os índios. Aldo desconsidera mudanças e revoluções ocorridas nas sociedades amazônicas, registradas pelos arqueólogos. Ignora a arte, a música, a literatura, os conhecimentos na área de botânica, zoologia, astronomia, medicina, produzidos pelos índios. Nem suspeita que os índios criaram um código florestal oral. Ele afirma que “a conquista da Amazônia se deu com a expedição de Pedro Teixeira (1637-1639)”, como se a história começasse com os portugueses. Ignora que a Amazônia foi ‘conquistada’ pelos índios, que 5.000 a.C já desenvolviam agricultura sofisticada, com a domesticação da mandioca e de outras plantas. Aldo vê o saci e o curupira como 'folclore', não como expressão de culturas vivas e refinadas.

TQPT – Embora desconheça a floresta, Aldo diz que leu dezenas de livros sobre o tema...

C – Conversa fiada! Não leu, meu filho! O Aldo não lê nem o programa do PCdoB! Certifique-se você mesmo lendo o relatório que ele aprontou. Aprontou mesmo em todos os sentidos. A proposta do Aldo ignora os estudos feitos pelas universidades e centros de pesquisa. E ainda por cima se assessora mal. Em vez de chamar quem manja do assunto, foi procurar uma advogada, a Samanta Piñeda, que é consultora jurídica da bancada ruralista. Pagou R$ 10 mil com dinheiro nosso pra ela escrever aquela lengalenga enfadonha.

TQPT – Não entendo. O que é que o deputado ganha com isso?

C – Ganha a simpatia e o apoio dos ruralistas, do agronegócio. De acordo com a página na internet da ONG Transparência, a campanha de Aldo para as eleições de 2006 recebeu R$ 300 mil da Caemi-Mineração e Metalúrgica, R$ 50 mil da Bolsa de Mercadorias e Futuros, R$ 50 mil da Votorantim Celulose e Papel e por ai vai.

TQPT – Em que consiste, afinal, o projeto do deputado?

C – O projeto desmonta toda a legislação que protege a floresta: suspende multas de crimes ambientais, anistia desmatadores, reduz as áreas de preservação permanente (APPs) permitindo a realização de atividades econômicas dentro delas, dispensa a reserva legal em propriedades menores, incentiva a exploração de várzeas e topos de morro, dá autonomia para cada Estado legislar sobre meio ambiente, permite que os municípios passem a autorizar o desmatamento. É claramente um pedido de penico aos ruralistas, não está preocupado com os interesses nacionais, mas com interesses particulares de quem quer o lucro imediato.

TQPT – Se for aprovado, o projeto do Aldo prejudica todo mundo, até mesmo os descendentes dos ruralistas.

C – É o que estou dizendo há alguns milênios. Lembra o que aconteceu em Santa Catarina? Lá, o Governo reduziu as margens de mata ciliar ao longo dos rios e todo mundo viu a tragédia ocasionada pelas últimas chuvas. Se o projeto for aprovado, vai provocar impactos ambientais irreversíveis e a emissão de 25 bilhões a 31 bilhões de toneladas de gás carbônico só na Amazônia, segundo os especialistas. É preciso protestar. No Rio de Janeiro, nessa semana, já houve uma primeira manifestação de rua, com a participação de duzentos ativistas e lideranças de organizações ambientalistas. Nos outros países existem também curupiras. Eles vão boicotar o produto brasileiro em decorrência do desmatamento que o Código vai permitir.

TQPT – Excelência, me diga, o Aldo não é deputado do PCdoB, um partido que sempre defendeu, em tese, os fracos, a floresta...

C - (dando um assovio agudo e assustador) - Meu filho, o relatório do Aldo é uma afronta à sociedade e ao patrimônio ambiental do Brasil. Com isso, Aldo fere a respeitabilidade da bancada de um partido histórico nas lutas populares. Vai tirar votos de mulheres maravilhosas do PCdoB: Vanessa Graziottin (AM), Perpétua (AC), Jandira Feghalli (RJ), Alice Portugal (BA), Jô Moraes (MG), Manuela (RS). Aldo está se comportando como um agente infiltrado da bancada ruralista no PCdoB. Ele já passou para o outro lado, falta apenas formalizar sua filiação ao DEM (vixe, vixe!), onde é o lugar das idéias interesseiras que ele defende. Aldo Rebelo é o anti-curupira, o carrasco da floresta.

(José Ribamar Bessa Freire, no Taqui Pra Ti)

Reptilia Chelonia

Irene



Dilma

Negritude

Faz um tempo que a Stanford Encyclopedia of Philosophy está acrescentando novos verbetes à extensa lista que já está lá. Apareceram verbetes dedicados à Quine, à concepção kantiana de razão, ao feminismo e outros temas. Mas um deles realmente nos surpreendeu: um verbete dedicado à negritude! Vale a leitura (em que pese a concepção reativa), no link: http://plato.stanford.edu/entries/negritude/

Cien años de soledad será traducida a lengua indígena wayuunaiki

Cien años de soledad será traducida a lengua indígena wayuunaiki
05 de Junio, 2010 - AFP

El proyecto fue concebido como un mecanismo de difusión de la cultura y reforzamiento de la integración entre los indígenas de la comunidad wayúu


La obra cumbre del escritor Gabriel García Márquez, Cien años de soledad, será traducida a la lengua wayuunaiki, hablada por los indígenas que habitan en una zona limítrofe entre Colombia y Venezuela, dijo el sábado el experto Félix Carrillo, uno de los impulsores del proyecto.

El colombiano García Márquez, ganador del premio Nobel de Literatura en 1982, "ya dio su consentimiento" para que la novela sea traducida en breve al wayuunaiki, señaló Carrillo a radioemisoras.

Añadió que el proyecto fue concebido como un mecanismo de difusión de la cultura y reforzamiento de la integración entre los indígenas de la comunidad wayúu, que viven en el departamento (provincia) colombiano de La Guajira (norte, costa Caribe) y el estado venezolano de Zulia.

Traductores, estudiosos de la lengua y otros expertos de La Guajira, Zulia y la comunidad wayúu participarán en el proyecto, avalado por el ministerio de Cultura de Colombia, según Carrillo.

Además del texto en wayuunaiki, los indígenas podrán contar con un producto audiovisual de la novela de García Márquez, se informó.

Cien años de soledad (1967), que narra la historia de la familia Buendía a través de varias generaciones en el pueblo ficticio de Macondo y menciona episodios del mundo indígena del Caribe, ha sido traducida a más 35 lenguas.

Link: http://www.el-nacional.com/www/site/p_contenido.php?q=nodo/140449/Entretenimiento/Cien-a%C3%B1os-de-soledad-ser%C3%A1-traducida-a-lengua-ind%C3%ADgena-wayuunaiki