Povos indígenas no Brasil 1980-2000

O Instituto Socioambiental (ISA) disponibilizou na rede a série de livros Povos Indígenas no Brasil, que começou a ser publicada em 1980 pelo Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi). Cada livro da série apresenta uma quantidade de artigos assinados por indigenistas, políticos e especialistas de diversos campos do conhecimento, abordando temas como educação indígena, direitos territoriais, saúde e etc. Trata-se de uma fonte de informação de inestimável valor, agora disponível para a consulta online ou para a baixação. No link: http://pib.socioambiental.org/pt/c/povos-indigenas-no-brasil-serie-historica.

Tatá

Tatá reza caiçuma. Via Yuxinawa.

"Nestes filmes a humanidade prepara-se para sobreviver à civilização"

Mickey Mouse, por Walter Benjamin

(Fragmento escrito em 1931; não publicado durante a vida de Benjamin. Tradução de Pádua Fernandes, para O Sopro)

De uma conversa com [Gustav] Glück e [Kurt] Weill. - Relações de propriedade nos filmes de Mickey Mouse: aqui aparece pela primeira vez que alguém pode ser roubado de seu próprio braço, sim, de seu próprio corpo.

O percurso de um documento em uma repartição tem mais semelhança com um dos que Mickey Mouse percorre do que com o dos maratonistas.

Nestes filmes a humanidade prepara-se para sobreviver à civilização.

Mickey Mouse demonstra que a criatura ainda pode subsistir mesmo quando toda semelhança com o homem lhe foi retirada. Ele rompe com a hierarquia das criaturas concebida com fundamento no humano.

Estes filmes desautorizam, da maneira mais radical, a experiência. Não é compensador em um tal mundo ter experiências.

Semelhança com os contos de fada. Nunca desde esses contos os fenômenos mais vitais e importantes foram vividos de forma tão não simbólica e sem atmosfera. O incomensurável contraste com Maeterlink e com Mary Wigman. Todos os filmes de Mickey Mouse têm como motivo sair para aprender o medo.

Portanto, não a “mecanização”, não a “fórmula”, não um “mal-entendido” são a base do tremendo sucesso destes filmes, e sim o fato de que o público neles reconhece sua própria vida.

A direita vai à luta

Há pouco mais de um século, Nietzsche dizia: "mais um século de jornais e todas as palavras vão feder". Acho que estamos bem próximos de cumprir esse vaticínio. Quem de vez em quando dá uma olhada nos grandes jornais, em busca de informações sobre a disputa eleitoral, não pode concluir outra coisa. Especialmente no caso da Folha de São Paulo: à medida que vem chegando o dia da eleição, menor vai ficando o intervalo entre a publicação de um escândalo fabricado e outro. Quase não dá pra entender esse dueto com a Veja, já que, pelo que nos parece, a Folha sempre buscou um público mais intelectualizado, menos afeito a esses arroubos ideológicos da direita (ao menos na aparência). Será que esse pessoal da Folha ainda acredita que é possível virar um jogo mais do que perdido? Além dos de sempre, quem será que a Folha quer favorecer com essa lambança, que arrisca acabar com o jornal? Parece mesmo é que eles chutaram o balde e estão agora dando tiros pro alto. Os chefes da Folha decidiram de uma hora pra outra pular no abismo. Mas se fosse só isso, estaria tudo bem. Ninguém perde muita coisa com o fim da Folha (bem, talvez algumas coisas que andamos colando aqui…). O problema é que antes deles desaparecerem ainda vão dar voz pra baixa política brasileira, engrossando um coro besta que só simplifica os problemas. Como nas duas “reportagens” aí debaixo.

(Obs: engraçado o Bocalom se opor ao “modelo de desenvolvimento sustentável do PT”... Outro dia vimos em uma lanchonete Bobs uma placa dizendo que a obra foi financiada com grana do Banco da Amazônia, como parte dos investimentos governamentais em “desenvolvimento sustentável”. Ficamos pensando: como é possível acreditar que uma lanchonete com um esquema de produção semi-industrial, cujos sanduíches são todos à base de carne bovina e frango de granja, e que vem embalados em isopor e papel plastificado, produzindo muito lixo, é “sustentável”?)

Direitos autorais…

Há alguns dias atrás a polícia civil carioca fechou uma copiadora numa faculdade de serviço social, e apreendeu todo o material deixado para os alunos fotocopiarem.  O dono da copiadora foi levado para a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial. O A. Nodari escreveu um comentário legal sobre esse fato pitoresco: vale a leitura para os interessados no assunto dos direitos autorais - no link: http://www.culturaebarbarie.org/blog/2010/09/para-alem-dos-direitos-autorai.html

Claude Lévi-Strauss

No dia 30 de outubro de 2009, Claude Lévi-Strauss passou dessa para a melhor, deixando atrás de si um obra imensa e complexa. Dono de uma erudição gigantesca e de uma inigualável atenção para os detalhes, Lévi-Strauss renovou profundamente o campo das ciências no século XX. Sob sua influência, o pensamento se abre ao mundo, ao perceber-se irremediavelmente parte dele. Assim, o “anti-humanismo” que se desenvolve na obra do autor pelo menos desde a disputa contra Sartre (no capítulo final de O pensamento selvagem), indica hoje os caminhos de um pensamento capaz de especular fora da restrita imaginação burguesa e edipiana, em simbiose com a imaginação concreta do mundo.

Desde que nos pusemos a roer os cantos de algumas obras de Lévi-Strauss, cada vez nos impressionamos mais pela riqueza ainda largamente inexplorada que ali encontramos. Nessas trevas de nosso tempo, enquanto alguns pensadores se tecnicizam ao ponto de tornarem-se estéreis, os textos levi-straussianos continuam emitindo os signos que apontam para a diversidade do mundo, com a elegância e a precisão de sempre...

Separamos uns laços para baixar algumas obras do etnólogo, bem como textos sobre ele. Todos os links abaixo foram encontrados durante nossas trilhas pela rede. A esses laços nós acrescentaremos outros, em breve...
 
Obras de Levi-Strauss:
A lição de sabedoria das vacas loucas
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142009000300025&lng=en&nrm=iso
Du Miel Aux Cendres
http://depositfiles.com/pt/files/g85xhguad
Le cru et le cuit
http://depositfiles.com/pt/files/7eltte5tk
Mito y Significado
http://www.filesonic.com/file/15073339/A_100728_EdEs_Mys.rar
ou
http://depositfiles.com/pt/files/96yd9ybcz
O feiticeiro e sua magia
http://www.4shared.com/document/McRr8PvE/Levi_-Strauss_Claude_-_OFeitic.html
Mito e Significado
http://www.4shared.com/document/lFeBtaie/Levi_-Strauss_Claude_-_Mito_e_.html
Tristes Tropicos
http://www.4shared.com/document/UxcBXdO7/Levi_-Strauss_Claude_-_Tristes.html
De perto e de longe (com Didier Eribon)
http://www.4shared.com/document/b3qbFDbv/Levi-Strauss_Claude__Didier_Er.html
O Olhar Distanciado
http://www.4shared.com/document/ctfFSWqi/Lvi-Strauss_Calude_-_O_Olhar_D.html
As estruturas elementares do parentesco
http://www.4shared.com/document/1lXiTZf2/Lvi-Strauss_Claude_-__As_estru.html
Antropologia estrctural
http://www.4shared.com/document/4DW9dhNV/Lvi-Strauss_Claude_-_Antropolo.html
A Oleira Ciumenta
http://www.4shared.com/document/e7RSEhS1/Claude_Lvi-Strauss_-_A_Oleira_.html
O Suplício do Papai Noel
http://www.mediafire.com/?ytyzyzwfkyw
O que é a humanidade? (entrevista sobre Alfred-Louis Kroeber)
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142009000300024&lng=en&nrm=iso
Vídeo:
Grandes pensadores del siglo XX – Claude Lévi-Strauss
http://www.megaupload.com/?d=T4L8R6BI
 
Obras sobre Lévi-Strauss:
Número especial sobre Lévi-Strauss, da Revista de Antropologia da USP
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0034-770119990001&lng=en&nrm=iso
Merquior: A estética de Lévi-Strauss
http://www.mediafire.com/?iqw1ul0fzyl
Octavio Paz: Claude Lévi-Strauss ou o Novo Festim de Esopo
http://www.mediafire.com/?htjmiidj1jm
Eduardo Viveiros de Castro: Lévi-Strauss nos 90
http://www.4shared.com/document/8STn3jSC/Castro_Eduardo_Viveiros_de_-_L.html
Catherine Clément: Claude levi-strauss ou la structure et le malheur
http://www.megaupload.com/?d=8ESVQUGE
ou
http://uploading.com/files/9am3fm63/levistrauss.zip/
ou
http://www.fileserve.com/file/8SEBrjH
Boris Wiseman: The Cambridge Companion to Lévi-Strauss
http://depositfiles.com/pt/files/d9s3q3fs7
ou
http://www.filesonic.com/file/15701373/a74-0521846307%20.zip

Fumaça VI

O Acre continua pegando fogo.
Vejam essa reportagem no Blog do Antino:

http://altino.blogspot.com/2010/09/o-acre-em-brasa.html

rã-txa hu-ni-ku-ĩ

"Em 23 de outubro de 1853 no Engenho Columinjuba, localizado no então distrito de Maranguape (CE), nascia João Honório Capistrano de Abreu. Ele fez seus primeiros estudos em Fortaleza, onde viveu até 1869, ano em que se mudou para Recife. Sua atuação como intelectual ganhou impulso em 1875, quando se transferiu em definitivo para o Rio de Janeiro. Nomeado em 1879 para o cargo de Oficial da Biblioteca Nacional, permaneceu na função até 1883. Nessa data, foi aprovado em concurso para professor de Corografia e História do Brasil do Colégio Pedro II. Uma reforma educacional surgida em 1898 colocou-o em disponibilidade e afastou-o da docência. Até seu falecimento, em 1927, Capistrano de Abreu colaborou ativamente na imprensa e dedicou-se a análises históricas e etnográfico-lingüísticas.

Além da língua Kaxinawá (da família Pano), Capistrano de Abreu devotou-se ao exame da língua e da cultura dos Bakairi (da família Caribe). Em 1895, publicou o artigo “Os Bacaeris” na Revista Brazileira, fruto de estudos que desenvolveu entre 1892 e aquele ano. A língua Bakairi ocupou-lhe, ainda, ao que tudo indica, entre 1915 e 1927. Infelizmente, essa segunda temporada de pesquisas não chegou a ter seus resultados publicados.

Merece aplauso a inclusão da obra clássica de Capistrano de Abreu sobre a língua e as narrativas tradicionais kaxinawás na Brasiliana Digital. Com suas mais de seiscentas páginas, o rã-txa hu-ni-ku-ĩ representa uma fonte de valor inestimável para lingüistas, etnólogos e antropólogos. Além, naturalmente, de constituir-se num registro de especial valor para os huni kuin (kaxinawá) que, por conta de sua digitalização, verão facilitado o seu acesso à obra.

Publicada em 1914 e batizada com o nome que os falantes nativos dão à sua língua (rã-txa hu-ni-ku-ĩ, que se pode traduzir como ‘língua dos homens verdadeiros’), ela recebeu o subtítulo “a língua dos caxinauás do Rio Ibuaçu affluente do Muru (Prefeitura de Tarauacá)” e apresenta, além de uma descrição gramatical condensada em onze páginas, mais de uma centena de textos tradicionais, agrupados tematicamente e apresentados em duas colunas: a primeira contendo a narração original em Kaxinawá e a segunda com uma tradução palavra por palavra que segue a ordem sintática do original (o que leva a construções como “mim saia faze para!”, na página 51). Entre as páginas 524 e 546, encontra-se o “Vocabulario brasileiro-caxinauá” com 1781 verbetes. Ainda mais copioso, o “Vocabulario caxinauá-brasileiro” ocupa da página 547 à 621 e reúne 4329 verbetes.

Resultado de um trabalho intenso, duradouro e minucioso, empreendido com o auxílio de dois informantes nativos enviados ao Rio (Borô e Tuxinĩ, a quem Capistrano de Abreu chama “co-autores” da obra), o rã-txa hu-ni-ku-ĩ foi considerado um trabalho exemplar pela comunidade internacional de especialistas em línguas sul-americanas dos anos 1890-1929, que se via frente ao desafio de registrar o mais rapidamente possível culturas julgadas fadadas a desaparecer em pouco tempo por conta do avanço da exploração econômica. Paul Rivet (1876-1958) e Theodor Koch-Grünberg (1872-1924), dentre outros americanistas de relevo na época, declararam sua admiração pela obra em artigos, resenhas e cartas privadas e apontaram o Kaxinawá como a língua sul-americana melhor descrita até então. 

Como uma primeira versão da obra foi consumida pelo fogo durante o grande incêndio da Imprensa Nacional em 15 de setembro de 1911, o rã-txa hu-ni-ku-ĩ editado em 1914 corresponde a uma segunda tentativa de Capistrano de Abreu de concretizar a publicação de um trabalho sobre a língua e as narrativas tradicionais kaxinawás. Por iniciativa da Sociedade Capistrano de Abreu e com patrocínio de Guilherme Guinle, uma segunda edição do rã-txa hu-ni-ku-ĩ veio a público em 1941, contendo “emendas do autor” levantadas pelos editores em dois exemplares da primeira edição.

Em tudo fiel aos referenciais teórico-metodológicos dos sul-americanistas do início do século XX, o trabalho de Capistrano de Abreu sobre a língua e as narrativas kaxinawás tornou-se um dos únicos a colocar em prática o ideal de descrição lingüística daquela comunidade de especialistas: a investigação a partir dos textos tradicionais, que eram considerados uma porta de entrada privilegiada para a ‘língua real’ das comunidades indígenas".
Texto escrito por Beatriz Christino. Postado originalmente na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.

Queimadas se espalham pelo País

"As queimadas que se espalham pelo País somadas à estiagem estão diminuído reservatórios naturais, rios e córregos. No Pantanal de Mato Grosso, a Baía de Chacororé – terceiro maior reservatório de água doce do Brasil – registra o mais baixo nível em 38 anos. Em Rio Branco, o Rio Acre, principal manancial de abastecimento da capital, está com só 1,90 metro. O recorde, em 2005, é de 1,75 metro.

Como a estiagem na região amazônica se encerra apenas em meados de outubro, ambientalistas acreditam que o quadro deve se agravar. Para Mato Grosso, onde não chove há mais de cem dias, a previsão é de chuvas apenas na segunda quinzena de setembro. Ontem, as queimadas deixaram parte do Acre e Rondônia sem energia elétrica, após o foco atingir o linhão entre Jaru e Vilhena (RO). O número de focos tem crescido a cada dia. O Instituto de Meio Ambiente do Acre emitiu em 24 horas 73 autos por desmates e queimas ilegais. O Estado não registra chuvas há 23 dias. A fumaça que encobriu o pico da Serra da Bodoquena denunciou o incêndio que há três dias consome a Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. A região é de difícil acesso".
(no Estadão)

O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial


Sekigun-PFLP: Sekai senso sengen é um filme lançado em 1971 pela dupla de japoneses Masao Adachi e Kôji Wakamatsu. Depois de apresentar dois filmes na Quinzaine des Réalisateurs, em Cannes, Wakamatsu e Adachi decidiram juntar-se ao Japanese Red Army em Beirut. Lá eles fizeram esse filme, que documenta as atividades cotidianas dos membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina.

O filme começa definindo a melhor forma de propaganda como a luta armada, e explica: se propaganda é informação, e informar é comunicar a verdade, e a suprema forma de verdade é a luta armada - então a luta armada é a melhor forma de propaganda. E o narrador continua: "é verdade que o sistema mundial de propaganda discursiva influencia enormemente a opinião pública internacional. Mas é pelas pessoas que lutam para libertarem a si mesmas através da luta armada que as coisas são decididas em última instância. Claro que cada um de nós está ciente de que o sistema de propaganda do imperialismo americano é o maior que já apareceu na história humana. Eles dominam as redes mundiais de televisão e de jornalismo, e dão às pessoas uma falsa educação, através de filmes que maliciosamente dizem o que eles querem. As pessoas no Vietnam do Sul, não têm televisão ou jornais próprios, mas eles lutam com a vontade firme - a sua única arma - contra o sistema imperialista. E o que está acontecendo agora? O gigantesco sistema de propaganda dos Estados Unidos não consegue mais convencer as pessoas de que essa guerra é certa. Conforme o tempo passa, o povo norte-americano vai se cansando, e começa a se opor a essa guerra. Isso é propaganda, a nossa propaganda. Propaganda é ação e luta. Essa é a suprema forma de propaganda".

O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial é então uma peça de propaganda - não é um documentário padrão, nem uma aula de história. O filme toma parte na história de uma maneira consciente e incisiva. O que Adachi e Wakamatsu fizeram foi criar uma espécie de arma - e o filme define: "as armas são a linguagem dos povos oprimidos".

Em 2009, numa entrevista ao Cahiers du Cinéma, Wakamatsu diz que, depois de realizar esse filme, "os países europeus fecharam-me as portas e ainda hoje, não tenho o direito de visitar os Estados Unidos. Foi um filme que realmente mudou a minha vida e me encurtou as liberdades". Com um tom um pouco amargurado, ele ainda completa: "hoje penso que apenas podemos mudar o Mundo através da via eleitoral".


Vale a pena ver, pois o filme ainda hoje dá o que pensar - sobre as lutas de um passado recente; sobre as lutas futuras; sobre o uso muito concreto da palavra (aqui também "a palavra é uma arma"); sobre o uso da paisagem no documentário (para além de ser uma forma de ocultar aqueles jovens que estavam fazendo treinamento no Líbano); sobre a propaganda da extrema-esquerda; etc. etc. etc.

ps: Engraçado um comentário que lemos em algum lugar sobre esse filme: "se você deseja saber como montar um Kalashnikov (i.e., um AK-47) ou como carregar um cinto de munição em uma metralhadora, então O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial definitivamente pode ajudar".

Links pra baixar:
http://hotfile.com/dl/64338442/f4329f0/ThReArm71.part1.rar.html
http://hotfile.com/dl/64350213/df74099/ThReArm71.part2.rar.html
http://hotfile.com/dl/64351726/7d7a30b/ThReArm71.part3.rar.html
http://hotfile.com/dl/64362934/8af159f/ThReArm71.part4.rar.html

Fumaça V

Foto: Altino Machado (in: http://altino.blogspot.com/2010/08/horizonte-perdido.html)

Rio Branco tá osso: o clima tá muito seco, e a fumaça das múltiplas queimadas invade a cidade. Dizem que o verão 2005 também foi assim - quando aconteceu uma das piores secas da Amazônia. Acho que só uma vez estivemos em um lugar assim tão enfumaçado: quando passamos uma semana na Baixada Fluminense, no RJ, por ocasião de um show do Razão Social. A impressão que temos daqui é que o Brasil tá pegando fogo - e está mesmo.

Fumaça IV

"Queimadas no Brasil aumentam 85%, informa Inpe

Esta é a primeira variação positiva para o período janeiro-agosto desde 2007

 O número de focos de queimada no Brasil, acumulado desde 1º de janeiro e até a última quinta-feira, 12, chegou a 25.999, ante 14.019 no mesmo período do ano passado, uma variação, em termos relativos, de 85%.
Reprodução/Inpe
Reprodução/Inpe
Mapa do risco de fogo na América do Sul para o sábado, 14/08; vermelho escuro marca área crítica

Frente fria traz umidade e reduz temperaturas no Centro-Oeste
Incêndio destrói mais de 70 imóveis e deixa dezenas de desabrigados em MT

De acordo com relatório do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe), esta é a primeira variação positiva para o período desde 2007, quando o número de focos superou os de 2006 em 154%. Nos últimos anos, a tendência vinha sendo de queda, com redução de 70% em 2008 e 20% em 2009.
 As unidades da federação que registraram os maiores aumentos de número de queimadas entre o ano passado e este são Tocantins (407%), Piauí (365%), Distrito Federal (250%). Estados como Maranhão, Minas Gerais, Pará, Goiás e Bahia mais que dobraram o número de focos. As principais reduções ocorreram no Rio Grande do Sul (-63%), santa Catarina (-53%) e Acre (-53%).
Apenas entre o fim da noite de quarta-feira e as 13h30 desta sexta, foram anotados 15.183 focos de queimada no Brasil."

(No Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,queimadas-no-brasil-aumentam-85--informa-inpe,594710,0.htm)

Fumaça III

Agora sim, a coisa ficou feia...

"Acre decreta estado de alerta ambiental

O governo do Acre decretou estado de alerta ambiental por causa de incêndios florestais e queimadas fora de controle. A quantidade de focos cresceu 123% em comparação a 2008 e 587% em relação ao ano passado.
De acordo com a Agência de Notícias do Acre, o decreto levou em consideração advertência do Comitê de Gestão de Riscos Ambientais (CGRA) e foi firmado em encontro extraordinário do grupo. O ar sem umidade, com previsão de frio e ventos, pode tornar mais grave as condições na área rural e nas cidades.
O decreto criou também a Sala de Situação, que funcionará no gabinete do governador e acompanhará em tempo real a situação." (no Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,acre-decreta-estado-de-alerta-ambiental,593576,0.htm).

Fumaça II

Do "Ambiente Acreano":

"RISCO DE FOGO NO LESTE DO ACRE É CRÍTICO

Focos de calor estão sendo detectados por todo o Estado. Falta de chuvas e baixa umidade continuam a favorecer a ocorrência de queimadas.

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Dados do INPE/CTPEC indicam que o risco de fogo no Acre aumentou e agora é crítico em praticamente todo o território do Estado (imagem ao lado, áreas em vermelho escuro).

Entre ontem e hoje pela manhã, focos de calor passaram a ser detectados em praticamente todas as regiões do Acre. Na semana passada, os focos se concentravam apenas na região leste.

Uma avaliação da previsão climática dos próximos dias publicada pelo Dr. Foster Bronw, do WHRC e PZ/UFAC na página do GTP-Queimadas do Forum MAP, indica que as condições para a ocorrência de incêndios florestais no Acre são extremamente favoráveis. Precipitações na região leste do Acre só estão previstas para acontecer entre 13 e 14 de agosto, e mesmo assim em quantidades muito baixas. A umidade relativa do ar deverá estar um pouco mais elevada porém picos de 20-30% acontecerão diariamente nos próximos 3 dias. Um fator que poderá minorar a ocorrência de queimadas sem controle na região será a quase ausência de ventos fortes pelos próximos 3 dias."

Fumaça

Pra fazer um contraditório com uma postagem aí de baixo:

"Fumaça em Rondônia e no Acre chama atenção
Áreas no Acre e em Rondônia estão com problemas de visibilidade por conta da fumaça. Centenas de focos de fogo sobre os dois Estados produziram uma densa camada de fumaça que persiste desde o início da semana. Vários aeroportos da região estão sofrendo com problemas de visibilidade, como o de Rio Branco. Os focos são decorrentes de queimadas, que se alastram nesta época do ano por conta da limpeza de terrenos para o plantio de novas culturas. A falta de chuva agrava o problema e faz com que o fogo se alastre mais rapidamente. A situação tende a piorar. Não há previsão de chuva para a região nos próximos dez dias" - OESP, 8/8, Vida, p.A27.

"National Geographic documentary on Santo Daime"

Esse é o documentário pra TV produzido pela National Geographic sobre o Santo Daime. As imagens foram colhidas na comunidade Fortaleza... É da NG, então tem que dar um desconto. O próprio nome da série que contextualiza o programa sobre o Santo Daime  já diz tudo sobre a perspectiva da NG - "Taboo". Mas é interessante...
Em três partes:
 
http://www.youtube.com/watch?v=Pi4sna7yVoo

http://www.youtube.com/watch?v=f3d3RbtTyK4

http://www.youtube.com/watch?v=HWTsI0IQ8t4

Tapecuim p.III

Imagem do satélite Modis Aqua, da NASA, que congrega os focos de calor detectados nos últimos 10 dias em todo o mundo.

3 filmes de Fernando Pino Solanas



Diretor argentino nascido em 1936, ex "diputado nacional", idealizador da Telesur, Pino Solanas faz do cinema a sua política. O site foriegnmoviesddl.com subiu pra rede 3 filmes dele: Tierra sublevada; Memoria del saqueo; e La dignidad de los nadies.

Vale muito a pena assistir...

Quién alimenta al mundo

Síntese do documento da ETC, feita pelo site GRAIN Biodiversidad (http://www.grain.org/biodiversidad/?id=479). Link para o documento original: http://www.etcgroup.org/en/node/4921.

"Presentamos tres fragmentos de uno de los más recientes documentos de investigación del Grupo ETC, con atisbos y cifras del universo de personas, colectivos, comunidades, grupos, que reivindican el cultivar sus propios alimentos [en su sentido más vasto] en todo el mundo y que son muchos más de lo que luego suponemos. Campo y ciudad. Cultivo, recolección, animales de corral, pastoreo, caza y pesca. Este retrato contradice a una industria alimentaria que presume tener las soluciones para el hambre en el mundo. La edición es responsabilidad de Biodiversidad.

La cadena alimentaria industrial. El modelo agroindustrial habla de una “cadena” alimentaria, con Monsanto en un extremo y Wal-Mart en el otro: una cadena sucesiva de empresas agroindustriales, fabricantes de insumos (semillas, fertilizantes, pesticidas, maquinaria) vinculadas con intermediarios, procesadores de alimentos y comerciantes al menudeo.
Noventa y seis por ciento de toda la investigación agrícola y sobre alimentos ocurre en los países industrializados y el 80 por ciento de esa investigación se ocupa del procesamiento y distribución de alimentos. En la última mitad del siglo pasado, la cadena alimentaria industrial se consolidó tanto que cada eslabón —de la semilla a la sopa— lo domina un puñado de multinacionales que trabajan con una lista de bienes de consumo cada vez más restringida, que tiene a la humanidad en peligro de desnutrición o sobrepeso.
La cadena alimentaria industrial se enfoca en menos de 100 variedades de cinco especies de ganado. Los fitomejoradores corporativos trabajan con 150 cultivos pero se enfocan en apenas una docena. De las 80 mil variedades comerciales de plantas que hay en el mercado, casi la mitad son de ornato. Lo que resta de nuestras mermadas reservas de peces viene de sólo 336 especies, que son dos terceras partes de las especies acuáticas que consumimos. Al perderse biodiversidad, el contenido nutricional de muchos de nuestros granos y hortalizas ha caído entre el 5 y el 40 por ciento, de modo que hoy tenemos que comer más calorías para obtener los mismos nutrientes que antes.
Ante el caos climático, la cadena alimentaria industrial nos impone un régimen de patentes que favorece la uniformidad por encima de la diversidad y refuerza un modelo tecnológico al que le cuesta más tiempo y dinero obtener una variedad diseñada en laboratorio que lograr cientos de variedades convencionales. En resumen, las empresas no saben quiénes padecen hambre, dónde se encuentran o qué necesitan.
El Banco Mundial y muchas agencias de desarrollo bilateral creen en la falacia de que el desarrollo agrícola puede escoger a voluntad qué eslabones de la cadena prefiere aprovechar. Esta visión es ingenua. La razón por la que empresas como Monsanto, DuPont y Syngenta (que controlan la mitad de la oferta comercial de semillas patentadas y más o menos el mismo porcentaje del mercado mundial de pesticidas) se concentran en engendrar cultivos como el maíz, la soya, el trigo y ahora el arroz es porque las grandes compañías procesadoras de alimentos, como Nestlé, Unilever, Kraft y ConAgra pueden manipular sus baratos carbohidratos como relleno (estos cuatro cultivos constituyen dos tercios del aporte calórico para los consumidores estadounidenses) y convertirlos en miles de productos alimentarios (y no alimentarios) que le “dan volumen” a mercancías más caras. A su vez, las empresas procesadoras buscan, por todos lo medios posibles, cumplir las exigencias de las grandes empresas de comercio al menudeo, como Wal-Mart, Tesco, Carrefour y Metro, las cuales demandan productos baratos, uniformes y predecibles en sus estantes y no dudan un instante en intervenir en otros eslabones de la cadena alimentaria para dictar el modo en que deben producirse los alimentos (y elegir cuáles agricultores serán aceptados)
Por medio de una cultura corporativa y mercados compartidos, algunos de los eslabones de la cadena alimentaria han desarrollado fuertes vínculos informales: por ejemplo, Syngenta mantiene una estrecha relación con Archer Daniels Midland; Monsanto con Cargill y DuPont con Bunge.1 El modelo industrial es una cadena cargada de grilletes. Comprar en alguno de los segmentos implica comprar en todos los segmentos del modelo.

Chile: Lenguas indígenas son consideradas Patrimonio de la Nación

"Servindi, 16 de julio, 2010.- Con una importante concurrencia se desarrolló los días 13 y 14 de julio el primer Congreso de las Lenguas Indígenas de Chile en la Universidad de Santiago de Chile (USACH).

En el evento se dio cuenta de la situación actual de los diferentes pueblos indígenas del país, con el objetivo de fortalecer el movimiento indígena, sensibilizar a la sociedad chilena, proponer medidas jurídicas y establecer redes sociales que promuevan la revalorización de las lenguas indígenas.

El encuentro fue auspiciado por la Facultad de Humanidades de la USACH y sirvió para plantear la importancia de rescatar “las lenguas indígenas como riquezas del patrimonio de la Nación”.

Según indicó la académica del Departamento de Educación, Elisa Loncón, la poca valorización de las lenguas indígenas influye en los resultados académicos de la IX Región.

“Los profesores no tienen herramientas y no están formados para enseñar las lenguas madres de estos niños. Por este motivo les va mal en lenguaje y matemáticas, obteniendo bajos resultados” refirió.

También preocupa a Elisa Loncón la atención de salud en sectores del país con alto porcentaje indígena. Recordó el compromiso del actual Presidente que en su primer discurso ofreció crear más hospitales con sistemas médicos que incluyan la medicina tradicional y alternativa mapuche.
Universidad comprometida con la interculturalidad

Alicia Salinas, Coordinadora Nacional del Programa Intercultural Bilingüe del Ministerio de Educación, valorizó el aporte que realiza la USACH.

Indicó que “para el mundo de la enseñanza de las lenguas indígenas es vital el apoyo de las universidades, porque contribuyen a formalizar la enseñanza de la lengua y ademásler permite abrirse hacia la interculturalidad”.

Rodrigo Vidal, Vicerrector de la USACH, mencionó que “en Chile sólo existen cuatro lenguas indígenas vivas: Mapudungun, Quechua, Aymara y Rapa Nui que han sobrevivido gracias a la resistencia de sus propios hablantes” y que constituyen “riquezas del patrimonio de la nación”.

Nabor García, Consejero de la Embajada de España dijo el evento “refleja el interés creciente de todo el problema cultural de los diferentes pueblos indígenas” y valoró que las universidades se interesen pues “permite una aproximación científica, seria e históricamente solvente”.

Mawrianela Cartes, Coordinadora Regional del Programa Educación Bilingüe en la Región del Biobío, destacó que el evento contribuyó a “visibilizar la diversidad cultural de este país que muchas veces está negada”. “Haberse realizado en la capital del país tiene un sentido aún más importante” expresó.

Domingo Namuncura, profesor de la Universidad Academia de Humanismo Cristiano y ex director de la CONADI, reconoció que la temática indígena florece en diferentes espacios académicos y de manera especial en la USACH."

(link: http://www.servindi.org/actualidad/28867)

Demanda americana por mogno ameaça tribos isoladas no Peru

Do Blog da Amazônia:

Indígena murunahua contatado recentemente no sudeste do Peru.


"Relatório da organização Upper Amazon Conservancy (UAC), reforçado pela Survival International, denuncia a exploração ilegal de mogno em grande parte da Reserva Territorial Murunahua, na região do departamento peruano de Ucayalli, na fronteira com o Acre, destinada a proteger etnias indígenas que vivem em isolamento voluntário.

Entre março e abril, a UAC documentou a existência de acampamentos madeireiros e árvores derrubadas ao longo da reserva de 481,5 mil hectares. A reserva, adjacente ao Parque Nacional Alto Purús, serve de refúgio para os últimos grupos de índios isolados.

O relatório da UAC foi lançado apenas um mês após a viagem ao Peru da Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, quando encontrou com o presidente Alan Garcia e afirmou que “os Estados Unidos e o Peru estão trabalhando juntos para proteger o meio ambiente”.

A presença de madeireiros em território peruano tem contribuído para forçar que índios isolados procurem refúgio em território brasileiro, no Acre, numa das regiões mais remotas do país. De acordo com a UAC, mais de 80% do mogno que o Peru exporta se destina aos Estados Unidos.

A UAC afirma que a exploração de madeira é “generalizada” na reserva, e que “uma grande rede de estradas para a exploração de madeira” é utilizada por “mais de uma dúzia de tratores”, ligando a reserva a um afluente importante da Amazônia.


Pranchas de mogno abandonadas nas cabecerias do rio Juruá


O relatório revela como os madeireiros estão levando as autoridades peruanas e americanas a crerem que o mogno foi obtido legalmente.

- A exploração ilegal de madeira evidencia que o Perú não está cumprindo seus compromissos ambientais e florestais estabelecidos no Tratado de Livre Comércio que firmou com os Estados Unidos. Além disso, a exploração ilegal viola a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestre, na qual está incluído o mogno - afirma a UAC.

Durante sobrevôo, a UAC constatou balsas com toras de mogno retiradas recentemente, o que indica que o campamento continua sendo usado como um centro de transporte de mogno ilegal obtido da Reserva e do Parque.

Existe um segunda base madeireira que, de acordo com os indígenas, é igual a que está localizada nas cabeceiras do rio Mapuya, que vem sendo usada há vários anos para coletar e transportar mogno da Reserva Murunahua.

Os madeireiros ilegais usam motosserras para transformar as toras de mogno e pranchas largas. A madeira ilegal é transportada para a cidade Pucallpa, através dos rios Mapuya, Inuya y Ucayali. A madeira passa em frente ao posto de controle forestal localizado no Inuya, estabelecido especialmente para evitar o transporte de madeira ilegal.

A madera é retirada com permissões emitidas para oerações florestas legais dentro de concessões florestas autorizadas. As permissões exigem “prueba” de que a madeira foi extraída legalmente e de acordo aos planos de manejo aprovados, mas não de uma área protegida ou não registrada. Quando a madeira é finalmente transportada em caminhões até Lima, conta com toda a documentação necessária para ser exportada aos Estados Unidos e outros mercados internacionais.

Acampamento madeireiro na Reserva Murunahu

Fotos: Chris Fagan/Upper Amazon Conservancy".

A história da história da Copa

"Eu tenho uma memória, graças a Deus, muito boa. Lembro de quase tudo. Agora que eu to meio perdido, mas vou te contar uma história, que eu contei essa história quarenta anos depois.

Tratava-se do seguinte: Em 1978, eu era gerente do Banco Nacional, aqui na Avenida do Contorno, lá no Floresta. E de manhã, era véspera da Copa do Mundo na Argentina. E eu comentava com os companheiros de banco, dizia que me lembrava da Copa de 38. Quer dizer, de 38 para 78, 40 anos tinham se passado.

Aí a turma falou: “Ah, você não lembra nada”. Aí eu disse: “lembro sim, e lembro do primeiro jogo”, que foi Brasil e Polônia, que foi 6 a 5. Naquela época, o Leônidas da Silva perdeu as chuteiras e jogou descalço uma boa parte do tempo. Hoje não pode mais, se alguém perder qualquer coisa do uniforme tem que sair do jogo e vestir, né? Mas eu me lembro que aí, no segundo jogo, o Brasil jogou com a Tchecoslováquia. Essa Copa foi na França. Então, o Brasil empatou com a Tchecoslováquia, em 1 a 1. E o desempate naquele tempo era outra partida, e o Brasil, na terça feira, jogou com o time todo azul, o time azul, o time reserva, todo o time. O técnico, o Ademar mudou tudo, e acabou ganhando da Tchecoslováquia, por 2 a 1.

Muito bem. Naquele tempo também tinha muito pouco time que jogava, não é igual essa Copa agora, que foram 32 times, né? Naquele tempo deviam ser uns 8 ou 10 no máximo. E então, o Brasil ia jogar com a Itália, no dia 26 de maio de 1938. E lá na minha terra, lá no Alto Rio Doce, eu com 12 anos, doido pra ouvir o jogo, eu fazia parte da banda. E então o padre Zé Pinto marcou a procissão pra na hora do jogo. E naquele tempo padre mandava demais, o padre mandava em tudo. Quem rezava, e era quase a maioria, ia pra procissão. E eu também tinha que ir, porque a banda fazia parte lá, tocando. Tinha as três bênçãos. Saía da Igreja da Matriz, descia, no Caxangá tinha uma benção. Passava ali a benção, demorava uns quinze a vinte minutos, saía novamente de procissão, subindo a rua lá da escadinha, e ia pra Igreja do Rosário, pra fazer a segunda benção.

Neste momento, quando passamos em frente à alfaiataria do Seu Lico e o coreto do jardim, tinha só uma pessoa ouvindo o rádio, era um senhor que não era de lá, até, era um fiscal federal, que era do estado do Rio. Ele ficou ali sozinho ouvindo o jogo, da Itália com o Brasil. Quando nós passamos em frente ao coreto, a banda tocando, nós olhamos, eu pelo menos olhei lá pra cima, e ele fez um sinal com o olho assim, que a coisa não tava boa. Aí a procissão andou mais uns vinte, trinta metros, e entrou na igrejinha. A turma toda largou os instrumentos da banda no chão, lá no passeio, e os músicos correram e eu fui atrás. Corremos lá pro coreto. Chegamos lá o Brasil estava acabando de fazer um gol. Mas não conseguiu, acabou sendo eliminado, e perdemos por 2 a 1. Essa é a história de 38.

Aí então, conforme eu estava contando pros companherios em 78 lá no banco, eles começaram a me gozar: “você não lembra disso nada, isso é chute!”. E eu: “eu não, to falando pra vocês, se vocês querem acreditar, bom, se não querem, não acredita”. Mas nesse momento entrou um senhor no banco, o banco já estava na hora do expediente externo, e entrou um homem lá pra pagar uma conta de luz, e não sei o quê. Aí eu falei assim: “ô Geraldo, vem cá”. O Geraldo entrou lá dentro no exepediente do banco. E eu: “ô Geraldo, quê que aconteceu no dia 26 de maio, de 38, dia de Corpus Christi?”. Na mesma hora também ele lembrou: “é, o Brasil perdeu pra Itália, né? E nós até hoje estamos...”

É uma história que eu lembro. E olha que eu já estou com 76, e lembro desses dados de 78, e consequentemente de 38."
(José Nery Matos, 2004)