Fotos de Juninho Motta
Contra o AI-5 digital!
A Lei sobre Crimes de Informática, ou AI-5 Digital, é um projeto de lei enviado à Câmara pelo senador Eduardo Azeredo do PSDB que quer bloquear o uso de redes P2P, quer acabar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet armazenem dados e eventualmente se tornem delatores de seus usuários. A Lei Azeredo pensa que cada usuário da rede é um criminoso em potencial, e quer transformar em crime o ato de "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida". O deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), relator na última comissão que aprovou a lei, chegou a dizer que "só assim vamos combater a pirataria, os hackers, esse pessoal todo que usa computador para fins inadequados.” Com a aprovação de uma lei como essa, quase tudo o que se faz na internet hoje será considerado crime. Mais uma vez, são os fantasmas de leis e concepções absolutamente anacrônicas arrastando suas correntes lá em Brasília, a mando dos interesses econômicos de alguns poucos.
Mais informações: http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=109621; http://meganao.wordpress.com/; http://blogs.estadao.com.br/link/um-passo-para-a-lei/; http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html
Plano de ação para produção e consumo sustentáveis
O Ministério do Meio Ambiente colocou o Plano de Produção e Consumo Sustentáveis na internet, e até o dia 11 de novembro qualquer pessoa ou instituição pode sugerir ideias ou críticas ao documento. Segundo o MMA, trata-se de uma agenda positiva, pensada para os próximos três anos, composta de ações em curso ou que deverão ser desenvolvidas no curto prazo. As prioridades selecionadas pelo governo passam por seis pontos básicos: "educação para o consumo sustentável, compras públicas sustentáveis, agenda ambiental na administração pública, aumento da reciclagem de resíduos sólidos, construção civil sustentável e, por fim, varejo e consumo sustentáveis".
Sabemos que o capetalismo não dá trégua. Mas, apesar dos limites óbvios da ideia, trata-se de uma tentativa de democratizar a discussão que deve ser aproveitada. (já havíamos indicado o caso do marco civil que regulamenta o uso da internet no Brasil, que também foi colocado na rede para apreciação geral).
Mais informações no sítio: http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=243#
Agricultura amazônica pode chegar a 8.000 anos
“Data obtida em sítio de Rondônia é uma das mais antigas da América
Indício vem da presença de terra preta, solo que surge em uso intenso da vegetação; obra de usina possibilita achado
O sítio arqueológico conhecido como Garbin não existe mais. Tragado pelas obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio (RO), em seu lugar ficará o vertedouro da barragem -uma espécie de válvula de escape da usina.
Antes que o sítio sumisse, porém, arqueólogos desenterraram ali sedimentos e artefatos que podem indicar que a agricultura na Amazônia foi "inventada" há uns 7.700 anos -uma das datas mais antigas do continente, e a mais velha do Brasil.
A pista de que a técnica foi dominada em época tão remota é indireta, mas forte. Trata-se da chamada terra preta, solo rico em matéria orgânica que, até onde se sabe, só surge com o acúmulo constante de dejetos de origem animal e vegetal, característico do uso intensivo desses recursos.
"Se não era agricultura propriamente dita, eles, no mínimo, estavam fazendo um manejo intenso dos recursos vegetais", diz o arqueólogo Renato Kipnis, sócio da empresa Scientia Consultoria Científica e um dos coordenadores do trabalho.
AO RESGATE
Kipnis e seus colegas andam zanzando para cima e para baixo da BR-364, perto de Porto Velho, desde 2008. Por lei, as compensações ligadas a uma usina do porte da de Santo Antônio, no rio Madeira, exigem o resgate de possíveis bens de interesse arqueológico que apareçam na construção. A empresa do arqueólogo venceu a licitação para fazer o serviço.
"Imagine só quando percebemos que os principais sítios estavam bem no canteiro da obra", brinca Ricardo Márcio Martins Alves, gerente de sustentabilidade da Santo Antônio Energia. "Mas logo conseguimos nos organizar para que o trabalho dos arqueólogos fosse feito."
A equipe da Scientia descobriu que, em paralelo com a rodovia moderna, corria uma hidrovia pré-histórica. A calha do Madeira na região está coalhada de sítios, que abrangem ambas as margens do rio e também as ilhas e pedrais (rochas de corredeiras) no meio do leito. Há gravuras rupestres, cerâmica decorada, artefatos de pedra e terra preta para dar e vender.
"O incomum é que no sítio Garbin havia terra preta associada a artefatos de pedra, e não a cerâmica", diz a arqueóloga gaúcha Silvana Zuse, que integra a equipe.
Vasculhar esses instrumentos em busca de restos vegetais microscópicos pode indicar o que, afinal, os moradores do Garbin cultivavam. A aposta mais óbvia: mandioca, a lavoura amazônica por excelência.
"É chato saber que vários sítios vão sumir. Mas, se não fosse pela obra, dificilmente teríamos tanta verba para trabalhar aqui", diz a geóloga Michelle Mayumi Tizuka.”
(na Folha de S.P.)
“Ideia de "mata virgem" passa por uma revisão
Se novos dados confirmarem a antiguidade da agricultura nativa na calha do Madeira, deve ganhar ainda mais força uma hipótese defendida por arqueólogos que trabalham na Amazônia.
Trata-se da ideia de que o termo "floresta virgem" pode ser profundamente enganoso. A mata seria, na verdade, uma "floresta cultural", manejada pelos indígenas ao longo de milhares de anos para que as espécies de seu interesse prosperassem.
Quem se embrenha na mata da ilha Dionísio, um dos locais estudados pela equipe da Scientia, não precisa de muito para crer na ideia.
Após caminhar por alguns minutos por uma floresta estonteamente diversa, onde nenhuma árvore é igual à vizinha, você parece cruzar os limites de um círculo invisível dentro do qual, de repente, uma única espécie reina.
É um urucurizal -como o nome diz, uma concentração da palmeira conhecida como urucuri. O fruto é comestível.
"Uns gostam, outros nem tanto. O pessoal come quando cai da árvore", conta Vanderlei Alves Santos, assistente de campo das escavações que, empolgado com o trabalho, enfrenta o vestibular para o curso de arqueologia da Universidade Federal de Rondônia no mês que vem.
"Há um debate grande se coisas como o urucurizal são naturais ou surgiram pelo manejo da floresta", diz Kipnis. "O risco é você criar uma espécie de viés de confirmação. Se procurar sinais de uma floresta antrópica [ou seja, gerada pelo homem] em locais onde sabidamente houve ocupação no passado, vai acabar achando, claro."
Uma ideia para contornar isso seria calcular a "assinatura" visual de certos tipos de árvore -as "culturais" e as de uma mata mais virgem, por exemplo- quando vista do espaço, via satélite. "Aí você poderia detectar as áreas e ir lá escavar para ver se há sítios mesmo", explica.
Em outra ilha, enquanto escava, o arqueólogo Eduardo Bespalez aponta uma enorme sumaúma, espécie de mata intacta. "Essa aí viu o pessoal dançando no terreiro", brinca.”
(na Folha de S.P.)
“Plantio teria facilitado a expansão tupi
Área onde há indícios de agricultura também é considerada berço de povos que colonizariam litoral do país
Cultivo de mandioca tem forte elo com as tribos do grupo, mas evidências mais claras são difíceis de obter
"Tupi or not tupi" (tupi ou não tupi), brincava o poeta brasileiro Oswald de Andrade, parodiando o "to be or not to be" de Shakespeare. No caso das descobertas em Rondônia, a piada do autor modernista está estranhamente próxima da realidade.
Isso porque, ao que tudo indica, o Estado amazônico é considerado por muitos estudiosos como o provável berço da expansão tupi.
É ali que existe a maior diversidade de idiomas do tronco linguístico tupi -e os estudos mostram que essa diversidade só aparece com o tempo. Portanto, é um sinal claro de que os tupis estariam por lá há milênios.
Os povos que falavam idiomas tupis, porém, já tinham se espalhado por uma enorme área, alcançando todo o litoral do Brasil, na época do primeiro contato com os europeus. Seria possível identificá-los como os primeiros plantadores de mandioca do Brasil? Será que isso teria conferido a eles uma vantagem competitiva frente a seus rivais sem lavoura?
Ideias desse tipo ganharam força entre arqueólogos nas últimas décadas. Grosso modo, ocorre que, comparados a caçadores-coletores, povos de fazendeiros têm mais muque demográfico.
Conseguem produzir mais comida para alimentar mais gente no mesmo espaço -algo entre dez e cem vezes mais pessoas por hectare. Por isso, ganhariam a briga por expansão territorial, desalojando ou derrotando em combate seus rivais não-agrícolas.
"Não há dúvida de que há um elo muito forte entre os tupis e o cultivo da mandioca, até do ponto de vista dos mitos sobre a planta que são importantes para eles", diz o arqueólogo Eduardo Bespalez, que tenta relacionar o registro dos sítios com os povos indígenas atuais.
"Encontramos por aqui a cerâmica da chamada tradição policrômica da Amazônia. É comum ela ser associada aos grupos tupis, embora povos sem relação com eles também a tenham produzido", adverte o pesquisador.
Renato Kipnis vê com interesse um possível elo entre avanço demográfico e agricultura, mas diz que os modelos a esse respeito podem acabar sendo simplistas.
"Uma coisa que notamos, com base no próprio sítio Garbin e em outros locais, foram datações em torno de 5.000 anos, as mais antigas depois da de 7.700 anos", conta ele. "O curioso é que essa idade é uma das estimadas para a divergência inicial das línguas do tronco tupi. É uma possibilidade a explorar", afirma o arqueólogo.
PRESERVAÇÃO
Segundo a Santo Antônio Energia, a Universidade Federal de Rondônia terá apoio para montar um acervo preservando os achados dos sítios arqueológicos que foram -ou serão- destruídos pela usina. Outras áreas de escavação, que não serão diretamente afetadas, podem virar áreas de estudo permanente.”
(tb, na Folha de S.P.)
Povos indígenas no Brasil 1980-2000
O Instituto Socioambiental (ISA) disponibilizou na rede a série de livros Povos Indígenas no Brasil, que começou a ser publicada em 1980 pelo Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi). Cada livro da série apresenta uma quantidade de artigos assinados por indigenistas, políticos e especialistas de diversos campos do conhecimento, abordando temas como educação indígena, direitos territoriais, saúde e etc. Trata-se de uma fonte de informação de inestimável valor, agora disponível para a consulta online ou para a baixação. No link: http://pib.socioambiental.org/pt/c/povos-indigenas-no-brasil-serie-historica.
"Nestes filmes a humanidade prepara-se para sobreviver à civilização"
Mickey Mouse, por Walter Benjamin
(Fragmento escrito em 1931; não publicado durante a vida de Benjamin. Tradução de Pádua Fernandes, para O Sopro)
De uma conversa com [Gustav] Glück e [Kurt] Weill. - Relações de propriedade nos filmes de Mickey Mouse: aqui aparece pela primeira vez que alguém pode ser roubado de seu próprio braço, sim, de seu próprio corpo.
O percurso de um documento em uma repartição tem mais semelhança com um dos que Mickey Mouse percorre do que com o dos maratonistas.
Nestes filmes a humanidade prepara-se para sobreviver à civilização.
Mickey Mouse demonstra que a criatura ainda pode subsistir mesmo quando toda semelhança com o homem lhe foi retirada. Ele rompe com a hierarquia das criaturas concebida com fundamento no humano.
Estes filmes desautorizam, da maneira mais radical, a experiência. Não é compensador em um tal mundo ter experiências.
Semelhança com os contos de fada. Nunca desde esses contos os fenômenos mais vitais e importantes foram vividos de forma tão não simbólica e sem atmosfera. O incomensurável contraste com Maeterlink e com Mary Wigman. Todos os filmes de Mickey Mouse têm como motivo sair para aprender o medo.
Portanto, não a “mecanização”, não a “fórmula”, não um “mal-entendido” são a base do tremendo sucesso destes filmes, e sim o fato de que o público neles reconhece sua própria vida.
A direita vai à luta
(Obs: engraçado o Bocalom se opor ao “modelo de desenvolvimento sustentável do PT”... Outro dia vimos em uma lanchonete Bobs uma placa dizendo que a obra foi financiada com grana do Banco da Amazônia, como parte dos investimentos governamentais em “desenvolvimento sustentável”. Ficamos pensando: como é possível acreditar que uma lanchonete com um esquema de produção semi-industrial, cujos sanduíches são todos à base de carne bovina e frango de granja, e que vem embalados em isopor e papel plastificado, produzindo muito lixo, é “sustentável”?)
Direitos autorais…
Há alguns dias atrás a polícia civil carioca fechou uma copiadora numa faculdade de serviço social, e apreendeu todo o material deixado para os alunos fotocopiarem. O dono da copiadora foi levado para a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial. O A. Nodari escreveu um comentário legal sobre esse fato pitoresco: vale a leitura para os interessados no assunto dos direitos autorais - no link: http://www.culturaebarbarie.org/blog/2010/09/para-alem-dos-direitos-autorai.html
Claude Lévi-Strauss
Desde que nos pusemos a roer os cantos de algumas obras de Lévi-Strauss, cada vez nos impressionamos mais pela riqueza ainda largamente inexplorada que ali encontramos. Nessas trevas de nosso tempo, enquanto alguns pensadores se tecnicizam ao ponto de tornarem-se estéreis, os textos levi-straussianos continuam emitindo os signos que apontam para a diversidade do mundo, com a elegância e a precisão de sempre...
Separamos uns laços para baixar algumas obras do etnólogo, bem como textos sobre ele. Todos os links abaixo foram encontrados durante nossas trilhas pela rede. A esses laços nós acrescentaremos outros, em breve...
Obras de Levi-Strauss:
A lição de sabedoria das vacas loucas
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142009000300025&lng=en&nrm=iso
Du Miel Aux Cendres
http://depositfiles.com/pt/files/g85xhguad
Le cru et le cuit
http://depositfiles.com/pt/files/7eltte5tk
Mito y Significado
http://www.filesonic.com/file/15073339/A_100728_EdEs_Mys.rar
ou
http://depositfiles.com/pt/files/96yd9ybcz
O feiticeiro e sua magia
http://www.4shared.com/document/McRr8PvE/Levi_-Strauss_Claude_-_OFeitic.html
Mito e Significado
http://www.4shared.com/document/lFeBtaie/Levi_-Strauss_Claude_-_Mito_e_.html
Tristes Tropicos
http://www.4shared.com/document/UxcBXdO7/Levi_-Strauss_Claude_-_Tristes.html
De perto e de longe (com Didier Eribon)
http://www.4shared.com/document/b3qbFDbv/Levi-Strauss_Claude__Didier_Er.html
O Olhar Distanciado
http://www.4shared.com/document/ctfFSWqi/Lvi-Strauss_Calude_-_O_Olhar_D.html
As estruturas elementares do parentesco
http://www.4shared.com/document/1lXiTZf2/Lvi-Strauss_Claude_-__As_estru.html
Antropologia estrctural
http://www.4shared.com/document/4DW9dhNV/Lvi-Strauss_Claude_-_Antropolo.html
A Oleira Ciumenta
http://www.4shared.com/document/e7RSEhS1/Claude_Lvi-Strauss_-_A_Oleira_.html
O Suplício do Papai Noel
http://www.mediafire.com/?ytyzyzwfkyw
O que é a humanidade? (entrevista sobre Alfred-Louis Kroeber)
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142009000300024&lng=en&nrm=iso
Vídeo:
Grandes pensadores del siglo XX – Claude Lévi-Strauss
http://www.megaupload.com/?d=T4L8R6BI
Obras sobre Lévi-Strauss:
Número especial sobre Lévi-Strauss, da Revista de Antropologia da USP
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0034-770119990001&lng=en&nrm=iso
Merquior: A estética de Lévi-Strauss
http://www.mediafire.com/?iqw1ul0fzyl
Octavio Paz: Claude Lévi-Strauss ou o Novo Festim de Esopo
http://www.mediafire.com/?htjmiidj1jm
Eduardo Viveiros de Castro: Lévi-Strauss nos 90
http://www.4shared.com/document/8STn3jSC/Castro_Eduardo_Viveiros_de_-_L.html
Catherine Clément: Claude levi-strauss ou la structure et le malheur
http://www.megaupload.com/?d=8ESVQUGE
ou
http://uploading.com/files/9am3fm63/levistrauss.zip/
ou
http://www.fileserve.com/file/8SEBrjH
Boris Wiseman: The Cambridge Companion to Lévi-Strauss
http://depositfiles.com/pt/files/d9s3q3fs7
ou
http://www.filesonic.com/file/15701373/a74-0521846307%20.zip
Fumaça VI
Vejam essa reportagem no Blog do Antino:
http://altino.blogspot.com/2010/09/o-acre-em-brasa.html
rã-txa hu-ni-ku-ĩ
Merece aplauso a inclusão da obra clássica de Capistrano de Abreu sobre a língua e as narrativas tradicionais kaxinawás na Brasiliana Digital. Com suas mais de seiscentas páginas, o rã-txa hu-ni-ku-ĩ representa uma fonte de valor inestimável para lingüistas, etnólogos e antropólogos. Além, naturalmente, de constituir-se num registro de especial valor para os huni kuin (kaxinawá) que, por conta de sua digitalização, verão facilitado o seu acesso à obra.
Publicada em 1914 e batizada com o nome que os falantes nativos dão à sua língua (rã-txa hu-ni-ku-ĩ, que se pode traduzir como ‘língua dos homens verdadeiros’), ela recebeu o subtítulo “a língua dos caxinauás do Rio Ibuaçu affluente do Muru (Prefeitura de Tarauacá)” e apresenta, além de uma descrição gramatical condensada em onze páginas, mais de uma centena de textos tradicionais, agrupados tematicamente e apresentados em duas colunas: a primeira contendo a narração original em Kaxinawá e a segunda com uma tradução palavra por palavra que segue a ordem sintática do original (o que leva a construções como “mim saia faze para!”, na página 51). Entre as páginas 524 e 546, encontra-se o “Vocabulario brasileiro-caxinauá” com 1781 verbetes. Ainda mais copioso, o “Vocabulario caxinauá-brasileiro” ocupa da página 547 à 621 e reúne 4329 verbetes.
Resultado de um trabalho intenso, duradouro e minucioso, empreendido com o auxílio de dois informantes nativos enviados ao Rio (Borô e Tuxinĩ, a quem Capistrano de Abreu chama “co-autores” da obra), o rã-txa hu-ni-ku-ĩ foi considerado um trabalho exemplar pela comunidade internacional de especialistas em línguas sul-americanas dos anos 1890-1929, que se via frente ao desafio de registrar o mais rapidamente possível culturas julgadas fadadas a desaparecer em pouco tempo por conta do avanço da exploração econômica. Paul Rivet (1876-1958) e Theodor Koch-Grünberg (1872-1924), dentre outros americanistas de relevo na época, declararam sua admiração pela obra em artigos, resenhas e cartas privadas e apontaram o Kaxinawá como a língua sul-americana melhor descrita até então.
Como uma primeira versão da obra foi consumida pelo fogo durante o grande incêndio da Imprensa Nacional em 15 de setembro de 1911, o rã-txa hu-ni-ku-ĩ editado em 1914 corresponde a uma segunda tentativa de Capistrano de Abreu de concretizar a publicação de um trabalho sobre a língua e as narrativas tradicionais kaxinawás. Por iniciativa da Sociedade Capistrano de Abreu e com patrocínio de Guilherme Guinle, uma segunda edição do rã-txa hu-ni-ku-ĩ veio a público em 1941, contendo “emendas do autor” levantadas pelos editores em dois exemplares da primeira edição.
Em tudo fiel aos referenciais teórico-metodológicos dos sul-americanistas do início do século XX, o trabalho de Capistrano de Abreu sobre a língua e as narrativas kaxinawás tornou-se um dos únicos a colocar em prática o ideal de descrição lingüística daquela comunidade de especialistas: a investigação a partir dos textos tradicionais, que eram considerados uma porta de entrada privilegiada para a ‘língua real’ das comunidades indígenas".
Queimadas se espalham pelo País
Como a estiagem na região amazônica se encerra apenas em meados de outubro, ambientalistas acreditam que o quadro deve se agravar. Para Mato Grosso, onde não chove há mais de cem dias, a previsão é de chuvas apenas na segunda quinzena de setembro. Ontem, as queimadas deixaram parte do Acre e Rondônia sem energia elétrica, após o foco atingir o linhão entre Jaru e Vilhena (RO). O número de focos tem crescido a cada dia. O Instituto de Meio Ambiente do Acre emitiu em 24 horas 73 autos por desmates e queimas ilegais. O Estado não registra chuvas há 23 dias. A fumaça que encobriu o pico da Serra da Bodoquena denunciou o incêndio que há três dias consome a Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. A região é de difícil acesso".
(no Estadão)
O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial
Sekigun-PFLP: Sekai senso sengen é um filme lançado em 1971 pela dupla de japoneses Masao Adachi e Kôji Wakamatsu. Depois de apresentar dois filmes na Quinzaine des Réalisateurs, em Cannes, Wakamatsu e Adachi decidiram juntar-se ao Japanese Red Army em Beirut. Lá eles fizeram esse filme, que documenta as atividades cotidianas dos membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina.
O filme começa definindo a melhor forma de propaganda como a luta armada, e explica: se propaganda é informação, e informar é comunicar a verdade, e a suprema forma de verdade é a luta armada - então a luta armada é a melhor forma de propaganda. E o narrador continua: "é verdade que o sistema mundial de propaganda discursiva influencia enormemente a opinião pública internacional. Mas é pelas pessoas que lutam para libertarem a si mesmas através da luta armada que as coisas são decididas em última instância. Claro que cada um de nós está ciente de que o sistema de propaganda do imperialismo americano é o maior que já apareceu na história humana. Eles dominam as redes mundiais de televisão e de jornalismo, e dão às pessoas uma falsa educação, através de filmes que maliciosamente dizem o que eles querem. As pessoas no Vietnam do Sul, não têm televisão ou jornais próprios, mas eles lutam com a vontade firme - a sua única arma - contra o sistema imperialista. E o que está acontecendo agora? O gigantesco sistema de propaganda dos Estados Unidos não consegue mais convencer as pessoas de que essa guerra é certa. Conforme o tempo passa, o povo norte-americano vai se cansando, e começa a se opor a essa guerra. Isso é propaganda, a nossa propaganda. Propaganda é ação e luta. Essa é a suprema forma de propaganda".
O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial é então uma peça de propaganda - não é um documentário padrão, nem uma aula de história. O filme toma parte na história de uma maneira consciente e incisiva. O que Adachi e Wakamatsu fizeram foi criar uma espécie de arma - e o filme define: "as armas são a linguagem dos povos oprimidos".
Em 2009, numa entrevista ao Cahiers du Cinéma, Wakamatsu diz que, depois de realizar esse filme, "os países europeus fecharam-me as portas e ainda hoje, não tenho o direito de visitar os Estados Unidos. Foi um filme que realmente mudou a minha vida e me encurtou as liberdades". Com um tom um pouco amargurado, ele ainda completa: "hoje penso que apenas podemos mudar o Mundo através da via eleitoral".
Vale a pena ver, pois o filme ainda hoje dá o que pensar - sobre as lutas de um passado recente; sobre as lutas futuras; sobre o uso muito concreto da palavra (aqui também "a palavra é uma arma"); sobre o uso da paisagem no documentário (para além de ser uma forma de ocultar aqueles jovens que estavam fazendo treinamento no Líbano); sobre a propaganda da extrema-esquerda; etc. etc. etc.
ps: Engraçado um comentário que lemos em algum lugar sobre esse filme: "se você deseja saber como montar um Kalashnikov (i.e., um AK-47) ou como carregar um cinto de munição em uma metralhadora, então O exército vermelho/FPLP: declaração de guerra mundial definitivamente pode ajudar".
Links pra baixar:
http://hotfile.com/dl/64338442/f4329f0/ThReArm71.part1.rar.html
http://hotfile.com/dl/64350213/df74099/ThReArm71.part2.rar.html
http://hotfile.com/dl/64351726/7d7a30b/ThReArm71.part3.rar.html
http://hotfile.com/dl/64362934/8af159f/ThReArm71.part4.rar.html
Fumaça V
![]() |
| Foto: Altino Machado (in: http://altino.blogspot.com/2010/08/horizonte-perdido.html) |
Rio Branco tá osso: o clima tá muito seco, e a fumaça das múltiplas queimadas invade a cidade. Dizem que o verão 2005 também foi assim - quando aconteceu uma das piores secas da Amazônia. Acho que só uma vez estivemos em um lugar assim tão enfumaçado: quando passamos uma semana na Baixada Fluminense, no RJ, por ocasião de um show do Razão Social. A impressão que temos daqui é que o Brasil tá pegando fogo - e está mesmo.
Fumaça IV
"Queimadas no Brasil aumentam 85%, informa Inpe
Esta é a primeira variação positiva para o período janeiro-agosto desde 2007
Frente fria traz umidade e reduz temperaturas no Centro-Oeste
Incêndio destrói mais de 70 imóveis e deixa dezenas de desabrigados em MT
De acordo com relatório do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe), esta é a primeira variação positiva para o período desde 2007, quando o número de focos superou os de 2006 em 154%. Nos últimos anos, a tendência vinha sendo de queda, com redução de 70% em 2008 e 20% em 2009.
As unidades da federação que registraram os maiores aumentos de número de queimadas entre o ano passado e este são Tocantins (407%), Piauí (365%), Distrito Federal (250%). Estados como Maranhão, Minas Gerais, Pará, Goiás e Bahia mais que dobraram o número de focos. As principais reduções ocorreram no Rio Grande do Sul (-63%), santa Catarina (-53%) e Acre (-53%).
Apenas entre o fim da noite de quarta-feira e as 13h30 desta sexta, foram anotados 15.183 focos de queimada no Brasil."
(No Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,queimadas-no-brasil-aumentam-85--informa-inpe,594710,0.htm)
Fumaça III
"Acre decreta estado de alerta ambiental
O governo do Acre decretou estado de alerta ambiental por causa de incêndios florestais e queimadas fora de controle. A quantidade de focos cresceu 123% em comparação a 2008 e 587% em relação ao ano passado.De acordo com a Agência de Notícias do Acre, o decreto levou em consideração advertência do Comitê de Gestão de Riscos Ambientais (CGRA) e foi firmado em encontro extraordinário do grupo. O ar sem umidade, com previsão de frio e ventos, pode tornar mais grave as condições na área rural e nas cidades.
O decreto criou também a Sala de Situação, que funcionará no gabinete do governador e acompanhará em tempo real a situação." (no Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,acre-decreta-estado-de-alerta-ambiental,593576,0.htm).
Fumaça II
Do "Ambiente Acreano":
"RISCO DE FOGO NO LESTE DO ACRE É CRÍTICO
Focos de calor estão sendo detectados por todo o Estado. Falta de chuvas e baixa umidade continuam a favorecer a ocorrência de queimadas.Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano
Dados do INPE/CTPEC indicam que o risco de fogo no Acre aumentou e agora é crítico em praticamente todo o território do Estado (imagem ao lado, áreas em vermelho escuro).Entre ontem e hoje pela manhã, focos de calor passaram a ser detectados em praticamente todas as regiões do Acre. Na semana passada, os focos se concentravam apenas na região leste.
Uma avaliação da previsão climática dos próximos dias publicada pelo Dr. Foster Bronw, do WHRC e PZ/UFAC na página do GTP-Queimadas do Forum MAP, indica que as condições para a ocorrência de incêndios florestais no Acre são extremamente favoráveis. Precipitações na região leste do Acre só estão previstas para acontecer entre 13 e 14 de agosto, e mesmo assim em quantidades muito baixas. A umidade relativa do ar deverá estar um pouco mais elevada porém picos de 20-30% acontecerão diariamente nos próximos 3 dias. Um fator que poderá minorar a ocorrência de queimadas sem controle na região será a quase ausência de ventos fortes pelos próximos 3 dias."
Fumaça
"Fumaça em Rondônia e no Acre chama atenção
Áreas no Acre e em Rondônia estão com problemas de visibilidade por conta da fumaça. Centenas de focos de fogo sobre os dois Estados produziram uma densa camada de fumaça que persiste desde o início da semana. Vários aeroportos da região estão sofrendo com problemas de visibilidade, como o de Rio Branco. Os focos são decorrentes de queimadas, que se alastram nesta época do ano por conta da limpeza de terrenos para o plantio de novas culturas. A falta de chuva agrava o problema e faz com que o fogo se alastre mais rapidamente. A situação tende a piorar. Não há previsão de chuva para a região nos próximos dez dias" - OESP, 8/8, Vida, p.A27.
"National Geographic documentary on Santo Daime"
Em três partes:
http://www.youtube.com/watch?v=Pi4sna7yVoo http://www.youtube.com/watch?v=f3d3RbtTyK4 http://www.youtube.com/watch?v=HWTsI0IQ8t4
Tapecuim p.III
3 filmes de Fernando Pino Solanas

Diretor argentino nascido em 1936, ex "diputado nacional", idealizador da Telesur, Pino Solanas faz do cinema a sua política. O site foriegnmoviesddl.com subiu pra rede 3 filmes dele: Tierra sublevada; Memoria del saqueo; e La dignidad de los nadies.
Vale muito a pena assistir...




